Como
nós educadores, estamos implicados como agentes de combate à pobreza e a
desigualdade social? Como atuar de forma significativa dentro das comunidades
escolares?
“A
pobreza é uma das realidades mais persistente na história da humanidade.”
Miguel
G. Arroyo
A
pobreza no Brasil abrange uma dimensão ampla, pois ela decorre em grande parte
por uma profunda desigualdade de renda, está que podemos identificar ao longo de
sua formação sócio-histórica e econômica. Onde a acumulação de capital foi
baseada na exploração da população, inicialmente pelos grandes latifundiários
no meio rural e posteriormente pela especulação imobiliária nos meios urbanos.
Fazendo assim com que uma parcela da população
se integre num processo de exclusão dentro da sociedade e neste contexto
podemos incluir negros, indígenas, mulheres, deficientes físicos, homossexuais,
favelados, catadores de lixo, indigente e etc. Neste processo de exclusão em
nossa sociedade capitalista atualmente compreende desde a expulsão do mercado
de trabalho por um longo tempo, ao jovem de periferia que não consegue boas
colocações de trabalho, aos que não apresentam um local de moradia fixa.
Como
vimos no vídeo acima sobre “os relatos da pobreza no Brasil”, 16 milhões da população
brasileira vive na extrema miséria tendo com renda aproximadamente 70 reais por
mês, a grande maioria em casas improvisadas e sem acesso aos serviços mais
básicos de saneamento, saúde e escolarização.
Desde
a década de 80, se vê algumas politicas com programas sociais direcionados à está
parcela da população muito empobrecida, no entanto são políticas descontinuas e
insuficiente, pois a cada governo que se institui são modificadas ou extintas. E
ainda na totalidade dessas políticas, elas se apresentam em um caráter mais de assistencialismo
do que realmente de enfrentamento à pobreza.
O
Ministério do Desenvolvimento Social institui que pobre é aquele que recebe
aproximadamente 140 reais por mês neste contingente temos 280 milhões de
brasileiros, já os extremamente pobres estão incluídos os que recebem
aproximadamente 70 reais por mês aí temos incluídos quase 17 milhões de pessoas
sendo estes 8% da população brasileira, estes dados de 2012. Sendo que essas
pessoas se encontram a margem da sociedade, normalmente sua inserção está no
trabalho informal e assalariado, levando a uma vida precária e a moradias em
lugares insalubres.
Os
estados do Brasil que apresentam os menores rendimentos por domicilio se
encontra mais na região norte e alguns da região nordeste, já os que apresentam
um melhor rendimento se encontram na região sul, alguns estados da região
sudeste e principalmente no Distrito Federal. E dentre os mais pobres são os
repasses assistenciais tais como o Bolsa Família, programa de transferência de
renda, que mais auxilia e protege essas famílias, mas para entrar neste
programa existem restrições que nem todos conseguem estar em condições.
Com
a urbanização a partir da década de 70, temos a inserção da mulher nos diversos
setores no mercado de trabalho, entretanto muitas que desejam ter filhos
encontram barreiras como a falta de creches e as restrições que muitas empresas
fazem as grávidas, proporcionando assim uma redução no número de filhos. Outros
fatores que fazem com as taxas de natalidade tendem a cair como o alto custo com
a alimentação, educação, saúde, transporte e vestuário nas áreas urbanas fazem
com que as famílias tendem a planejar com mais cuidado o número de filhos que
desejam ter. No meio urbano até existe uma maior difusão das informações e da popularização
do uso de métodos contraceptivos (pílulas anticoncepcionais, preservativos,
diafragmas, etc.), o que amplia o acesso a essas formas de controle da
natalidade.
Não
podemos esquecer que em um passado não tão distante as mulheres tinham como
obrigatoriedade o cuidado da casa, cozinhar e criar grande quantidade de
filhos, muitas vezes sem o auxilio de ninguém. Já hoje existem novos núcleos
familiares em que o homem e a mulher tendem a ter as mesmas responsabilidades
já que a mulher com a sua inserção no mercado de trabalho tem como participar
do orçamento doméstico. Mesmo assim, a mulher se encontra entre as minorias dos
mais pobres e muitas vezes se encontram na linha final da pobreza, e aí temos
principalmente a mulher negra com filhos e sem companheiros nestes casos
normalmente são de baixa escolaridade, sendo que muitas não conseguem chegar ao
bolsa família, e muito menos ter acesso ao atendimento básico de saúde com
qualidade.
Dentro
deste contexto é que encontramos a maioria de nossos alunos de escolas públicas,
na ausência de oportunidades e escolhas e muitos em processo de marginalização, devemos assim olhar nossos alunos com
outros olhos, em uma visão mais realista das suas verdadeiras necessidades.
Fonte:
ARRAYO, Miguel G. Curso
de Especialização Educação, Pobreza e Desigualdade Social. Ministério da
Educação (MEC). Brasília, 2014. Disponível em: <http://catalogo.egpbf.mec.gov.br/>. Acesso em: 22 nov. 2017
SILVA, Maria
Ozanira da Silva e. Pobreza, desigualdade e políticas públicas: caracterizando
e problematizando a realidade brasileira. Revista Katálysis, Florianópolis, v. 13, n. 2, p. 155-163, mar. 2011. ISSN
1982-0259. Disponível em: <https://periodicos.ufsc.br/index.php/katalysis/article/view/S1414-49802010000200002>. Acesso em: 22 nov. 2017.
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