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quarta-feira, 19 de abril de 2023

⌛ Nova Rota de Aprendizagem em 2023 ⌛

Ao pensarmos sobre nosso "Projeto de Vida", o que queremos para nossa existência, devemos antes de mais nada fazer um olhar sobre nossas memórias afetivas. Quais são nossos sonhos? É nesse olhar para o caminho já realizado que vamos significando nossas aprendizagens, nossas relações com os outros, vai nos dar a ideia de como vamos proceder a diante.



Pensando assim nos mais variados aspectos da minha trajetória que vejo o individuo no qual me tornei e a qual ainda está em constante reconstrução, pois ao refletir sobre os caminhos traçados foram eles que me deram base para enfrentar os desafios que a vida me proporcionou. Uma pandemia mundial, em que nossos cotidianos foram tão drasticamente transformados. Em 19 de março de 2019, estávamos em uma sala de aula presencial com vários alunos, com festas e contato social e no dia seguinte passamos a isolamento social, uso de máscaras e todo um protocolo de cuidados em que todos deveriam seguir. 

Por tudo isso todos nós tivemos que nos reinventar, onde além de ensinar tivemos também a aprender dentro de um modelo educacional mediado pela tecnologia. Foi um momento com muitos desafiados, mas tenho a convicção que nós educadores tentamos, dentro da enorme diversidade econômica em que as escolas se encontravam, fazer o melhor possível para as comunidades escolares.

Já se passaram três anos e o que marcou nosso retorno para o convívio social foi um encontro um tanto discrepante e não imaginável. As pessoas se encontram um tanto sem paciência com o outro, indiferente se este outro é familiar, colega de trabalho, ou amigo de longa data. Parece que a sociedade está doente, principalmente por esquecerem como é conviver em sociedade. Uma grande parcela da sociedade desenvolveu ansiedades, depressão e outras enfermidades relacionados a saúde mental. E a escola não fica fora destas influências, como uma vez eu li em meus estudos a escola é um subespaço da sociedade. Então este espaço vai se tornar um novo lugar para tentar entender estes vários dilemas que envolver o fazer docente e seus desafios na contemporaneidade. 








terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

SENSAÇÕES

A casa de hóspedes




O ser humano é como uma casa de hóspedes
Toda manhã, uma nova chegada
Uma alegria, uma tristeza, uma mesquinhez
Uma percepção momentânea chega, como visitante inesperado

Acolha a todos!
Mesmo se for uma multidão de tristezas, que varre violentamente sua casa e a esvazia de toda a mobília
Mesmo assim, honre a todos os seus hóspedes
Eles podem estar limpando você para a chegada de um novo deleite

O pensamento escuro, a vergonha, a malícia
Receba-os sorrindo à porta e convide-os a entrar
Seja grato a quem vier
Porque todos foram enviados
Como guias do além

Este poema de Rumi, poeta persa do século XIII, é parte do Episódio 10 do Podcast Autoconsciente - A razão das emoções.

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Questão Moral


A pobreza é uma questão moral? Em que sentido? Como vemos a pobreza? Como enxergamos e pensamos esses milhões de crianças e adolescentes estudantes pobres? Como esses sujeitos são pensados pela sociedade, pela mídia e pelas políticas socioeducativas?

A pobreza é uma das experiências mais restritivas que poderíamos ter em nossa aprendizagem, e ela está se tornando a cada dia mais intensa e massificadora. Nossas crianças chegam, não só nas escolas dos países em desenvolvimento, mas a cada dia que passa em todos os recantos de nossa sociedade, com uma visão mais primitiva das inter-relações com o outro. Por estar relacionada as questões sócio-econômicas, sendo está ligada a falta da qualidade do bem-estar das pessoas ao ponto de muitas vezes leva-las a fome e a condições extremas de privações. Ao mesmo tempo, nos é estigmatizado através da mídia em que a pobreza está intimamente relacionada a violência e aos mais diversos crimes, no entanto o que falta realmente são oportunidades para que as pessoas possam se tornar mais produtivas para ter uma vida digna e que tenham a oportunidade para fazer suas próprias escolhas.
Devemos ver que a pobreza é uma condição e ela se institui como o resultado de um processo histórico, no caso do Brasil, desde o início de sua colonização em que sua dinâmica foi de intensa exploração da terra e do seu povo. De um lado temos os grandes proprietários de terra, trabalho precário, e que continua até hoje com a exploração de uma parte da população como os negros, índios, homossexuais, mulheres, deficientes ...
Enquanto não se der a devida atenção a questão social e econômica da grande população, não teremos o tão desejado desenvolvimento do país, continuaremos sendo um país em que poucos continuam se apropriando da grande parte das riquezas que nosso país apresenta, tem uma frase que marcou muito minha adolescência e acredito que seja de Eduardo Galeano, “Quanto mais rica a terra de uma nação, mais pobre se tornará seu povo.”.
Um fator que vem por distanciar uma parcela da população as novas formas de trabalho, é a tecnologia. Desde a primeira revolução industrial até a automação em que estamos atualmente, vem sendo um fator primordial para incluir ou excluir o trabalhador, pois em muitas situações este desenvolvimento técnico que está por substituir o homem no mercado de trabalho. E em algumas situações, principalmente para as pessoas que não tem acesso aos meios tecnológico, é que vem a intensificar os processos de precarização das relações de trabalho.
Nas instituições escolares a cada ano que passa mais as comunidades estão exigindo outras formas de ver o mundo, mas mesmo assim que ações devemos apresentar para mudar essas infâncias precárias e em algumas situações de desumanização.
    

"Diante da barbárie com que a infância e a adolescência populares são tratadas, o primeiro gesto deveria se ver nelas a imagem da barbárie social. A infância revela os limites para sermos humanos em uma economia que se tornou inumana." (ARROYO, 2014).



Fonte:
ARRAYO, Miguel G. Curso de Especialização Educação, Pobreza e Desigualdade Social. Ministério da Educação (MEC). Brasília, 2014. Disponível em: <http://catalogo.egpbf.mec.gov.br/>. Acesso em: 22 nov. 2017


segunda-feira, 28 de maio de 2018

Pobreza e Educação


Como nós educadores, estamos implicados como agentes de combate à pobreza e a desigualdade social? Como atuar de forma significativa dentro das comunidades escolares?
“A pobreza é uma das realidades mais persistente na história da humanidade.”
Miguel G. Arroyo


A pobreza no Brasil abrange uma dimensão ampla, pois ela decorre em grande parte por uma profunda desigualdade de renda, está que podemos identificar ao longo de sua formação sócio-histórica e econômica. Onde a acumulação de capital foi baseada na exploração da população, inicialmente pelos grandes latifundiários no meio rural e posteriormente pela especulação imobiliária nos meios urbanos.
 Fazendo assim com que uma parcela da população se integre num processo de exclusão dentro da sociedade e neste contexto podemos incluir negros, indígenas, mulheres, deficientes físicos, homossexuais, favelados, catadores de lixo, indigente e etc. Neste processo de exclusão em nossa sociedade capitalista atualmente compreende desde a expulsão do mercado de trabalho por um longo tempo, ao jovem de periferia que não consegue boas colocações de trabalho, aos que não apresentam um local de moradia fixa.


Como vimos no vídeo acima sobre “os relatos da pobreza no Brasil”, 16 milhões da população brasileira vive na extrema miséria tendo com renda aproximadamente 70 reais por mês, a grande maioria em casas improvisadas e sem acesso aos serviços mais básicos de saneamento, saúde e escolarização.
Desde a década de 80, se vê algumas politicas com programas sociais direcionados à está parcela da população muito empobrecida, no entanto são políticas descontinuas e insuficiente, pois a cada governo que se institui são modificadas ou extintas. E ainda na totalidade dessas políticas, elas se apresentam em um caráter mais de assistencialismo do que realmente de enfrentamento à pobreza.
O Ministério do Desenvolvimento Social institui que pobre é aquele que recebe aproximadamente 140 reais por mês neste contingente temos 280 milhões de brasileiros, já os extremamente pobres estão incluídos os que recebem aproximadamente 70 reais por mês aí temos incluídos quase 17 milhões de pessoas sendo estes 8% da população brasileira, estes dados de 2012. Sendo que essas pessoas se encontram a margem da sociedade, normalmente sua inserção está no trabalho informal e assalariado, levando a uma vida precária e a moradias em lugares insalubres.       
Os estados do Brasil que apresentam os menores rendimentos por domicilio se encontra mais na região norte e alguns da região nordeste, já os que apresentam um melhor rendimento se encontram na região sul, alguns estados da região sudeste e principalmente no Distrito Federal. E dentre os mais pobres são os repasses assistenciais tais como o Bolsa Família, programa de transferência de renda, que mais auxilia e protege essas famílias, mas para entrar neste programa existem restrições que nem todos conseguem estar em condições.
Com a urbanização a partir da década de 70, temos a inserção da mulher nos diversos setores no mercado de trabalho, entretanto muitas que desejam ter filhos encontram barreiras como a falta de creches e as restrições que muitas empresas fazem as grávidas, proporcionando assim uma redução no número de filhos. Outros fatores que fazem com as taxas de natalidade tendem a cair como o alto custo com a alimentação, educação, saúde, transporte e vestuário nas áreas urbanas fazem com que as famílias tendem a planejar com mais cuidado o número de filhos que desejam ter. No meio urbano até existe uma maior difusão das informações e da popularização do uso de métodos contraceptivos (pílulas anticoncepcionais, preservativos, diafragmas, etc.), o que amplia o acesso a essas formas de controle da natalidade.    
Não podemos esquecer que em um passado não tão distante as mulheres tinham como obrigatoriedade o cuidado da casa, cozinhar e criar grande quantidade de filhos, muitas vezes sem o auxilio de ninguém. Já hoje existem novos núcleos familiares em que o homem e a mulher tendem a ter as mesmas responsabilidades já que a mulher com a sua inserção no mercado de trabalho tem como participar do orçamento doméstico. Mesmo assim, a mulher se encontra entre as minorias dos mais pobres e muitas vezes se encontram na linha final da pobreza, e aí temos principalmente a mulher negra com filhos e sem companheiros nestes casos normalmente são de baixa escolaridade, sendo que muitas não conseguem chegar ao bolsa família, e muito menos ter acesso ao atendimento básico de saúde com qualidade.
Dentro deste contexto é que encontramos a maioria de nossos alunos de escolas públicas, na ausência de oportunidades e escolhas e muitos em processo de marginalização, devemos assim olhar nossos alunos com outros olhos, em uma visão mais realista das suas verdadeiras necessidades.   

 
Fonte:
ARRAYO, Miguel G. Curso de Especialização Educação, Pobreza e Desigualdade Social. Ministério da Educação (MEC). Brasília, 2014. Disponível em: <http://catalogo.egpbf.mec.gov.br/>. Acesso em: 22 nov. 2017
SILVA, Maria Ozanira da Silva e. Pobreza, desigualdade e políticas públicas: caracterizando e problematizando a realidade brasileira. Revista Katálysis, Florianópolis, v. 13, n. 2, p. 155-163, mar. 2011. ISSN 1982-0259. Disponível em: <https://periodicos.ufsc.br/index.php/katalysis/article/view/S1414-49802010000200002>. Acesso em: 22 nov. 2017. 

terça-feira, 18 de julho de 2017

EMPOWERMENT

O que significa este termo? Segundo escrito no livro de Paulo Freire(2011):
a) dar poder a;
b) ativar a potencialidade criativa;
c) desenvolver a potencialidade criativa do sujeito;
d) dinamizar a potencialidade do sujeito.



Fonte:
FREIRE, Paulo; SHOR, Ira. Medo e Ousadia - O Cotidiano do Professor. São Paulo: Paz e Terra. 13 ed. 2011.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

A Escola dos meus Sonhos

Frei Betto

Na escola dos meus sonhos, os alunos aprendem a cozinhar, costurar, consertar eletrodomésticos, a fazer pequenos reparos de eletricidade e de instalações hidráulicas, a conhecer mecânica de automóvel e de geladeira e algo de construção civil. Trabalham em horta, marcenaria e oficinas de escultura, desenho, pintura e música. Cantam no coro e tocam na orquestra. Uma semana ao ano integram-se, na cidade, ao trabalho de lixeiros, enfermeiras, carteiros, guardas de trânsito, policiais, repórteres, feirantes e cozinheiros profissionais. Assim aprendem como a cidade se articula por baixo, mergulhando em suas conexões que, à superfície, nos asseguram limpeza urbana, socorro de saúde, segurança, informação e alimentação.
Não há temas tabus. Todas as situações-limite da vida são tratadas com abertura e profundidade: dor, perda, falência, parto, morte, enfermidade, sexualidade e espiritualidade. Ali os alunos aprendem o texto dentro do contexto: a Matemática busca exemplos na corrupção dos precatórios e nos leilões das privatizações; o Português, na fala dos apresentadores de TV e nos textos de jornais; a Geografia, nos suplementos de turismo e nos conflitos internacionais; a Física, nas corridas de Fórmula-1 e nas pesquisas do supertelescópio Huble; a Química, na qualidade dos cosméticos e na culinária; a História, na violência de policiais contra cidadãos, para mostrar os antecedentes na relação colonizadores - índios, senhores - escravos, Exército - Canudos, etc.
Na escola dos meus sonhos, a interdisciplinaridade permite que os professores de Biologia e de Educação Física se complementem; a multidisciplinaridade faz com que a História do livro seja estudada a partir da análise de textos bíblicos; a transdisciplinaridade introduz aulas de meditação e dança e associa a história da arte à história das ideologias e das expressões litúrgicas. Se a escola for laica, o ensino religioso é plural: o rabino fala do judaísmo, o pai-de-santo, do candomblé; o padre, do catolicismo; o médium, do espiritismo; o pastor, do protestantismo; o guru, do budismo, etc. Se for católica, há periódicos retiros espirituais e adequação do currículo ao calendário litúrgico da Igreja. Na escola dos meus sonhos, os professores são obrigados a fazer periódicos treinamentos e cursos de capacitação e só são admitidos se, além da competência, comungam os princípios fundamentais da proposta pedagógica e didática. Porque é uma escola com ideologia, visão de mundo e perfil definido do que sejam democracia e cidadania. Essa escola não forma consumidores, mas cidadãos.
Ela não briga com a TV, mas leva-a para a sala de aula: são exibidos vídeos de anúncios e programas e, em seguida, analisados criticamente. A publicidade do iogurte é debatida; o produto adquirido; sua química, analisada e comparada com a fórmula declarada pelo fabricante; as incompatibilidades denunciadas, bem como os fatores porventura nocivos à saúde. O programa de auditório de domingo é destrinchado: a proposta de vida subjacente, a visão de felicidade, a relação animador-platéia, os tabus e preconceitos reforçados, etc. Em suma, não se fecham os olhos à realidade, muda-se a ótica de encará-la. Há uma integração entre escola, família e sociedade. A Política, com P maiúsculo, é disciplina obrigatória. As eleições para o grêmio ou diretório estudantil são levadas a sério e, um mês por ano, setores não vitais da instituição são administrados pelos próprios alunos. Os políticos e candidatos são convidados para debates e seus discursos analisados e comparados às suas práticas.
Não há provas baseadas no prodígio da memória nem na sorte da múltipla escolha. Como fazia meu velho mestre Geraldo França de Lima, professor de História (hoje romancista e membro da Academia Brasileira de Letras), no dia da prova sobre a Independência do Brasil, os alunos traziam para a classe a bibliografia pertinente e, dadas as questões, consultavam os textos, aprendendo a pesquisar. Não há coincidência entre o calendário gregoriano e o curricular. João pode cursar a 5ª série em seis meses ou em seis anos, dependendo de sua disponibilidade, aptidão e seus recursos. É mais importante educar do que instruir; formar pessoas que profissionais; ensinar a mudar o mundo que ascender à elite. Dentro de uma concepção holística, ali a ecologia vai do meio ambiente aos cuidados com nossa unidade corpo-espírito e o enfoque curricular estabelece conexões com o noticiário da mídia.
Na escola dos meus sonhos, os professores são bem pagos e não precisam pular de colégio em colégio para se poderem manter. Pois é a escola de uma sociedade em que educação não é privilégio, mas direito universal, e o acesso a ela, dever obrigatório.

sábado, 24 de outubro de 2015

Educação, Escola e Desigualdade

     Conforme Bernard Charlot, a educação é um ato político e ele aponta quatro sentidos:
     "1) a educação transmite modelos sociais que são diferentes para cada grupo social a que as crianças pertencem, de sorte que, ao confirmar esses modelos, a escola sedimenta a organização social, o que, em última análise, é uma atividade política;
     2) a educação forma a personalidade com base em normas e valores presentes na própria estrutura social, fazendo com que as crianças introjetem os mecanismos psíquicos de identificação com o seu grupo e de sublimação das carências, mesmo que estas derivem da injustiça e da dominação de classe;
     3) a educação difunde ideias políticas (de sociedade, justiça, liberdade, igualdade etc.), com as quais a classe dominante consegue fazer passar como legítimos os seus ideais  de vida social;
     4) a educação é encargo da escola que é, como tantas outras, uma instituição social que se move no contexto das regras gerais da sociedade. "




Fonte: Rego, Teresa Cristina (org.). Educação, escola e desigualdade. Vozes, 2011, Vol. I.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Educação Transformadora

..."se vou educar, seja num bairro de elite, seja numa favela, sempre irei dar mais ênfase aos valores intelectuais do que aos econômicos. No entanto, ...na favela os valores econômicos tornam-se prioritários, dadas as necessidades de sobrevivência, ao passo que num bairro de elite assumem prioridade os valores morais, dada a necessidade de se enfatizar a responsabilidade perante a sociedade como um todo, a importância da pessoa humana e o direito de todos de participar igualmente dos progressos da humanidade." Piletti, Caudino. Didática Geral


Quando li este paragrafo me deu um mal estar, mas após uma reflexão, comecei a identificar as diferente tipos de educação e qual seria o seu verdadeiro significado. Se todas as escolas apresentam as mesmas estrutura, tem que se trabalhar os mesmos conteúdos, então porque são tão diferentes?

   

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

A Prática I

A sala de aula se configura como um microssistema em que se tem a necessidade de se organizar os espaços para que as intervenções pedagógicas tenham o efeito desejado. A avaliação se torna efetiva se as avaliações a serem realizadas partir deste sistema. 
Então a avaliação é um processo reflexivo, ela não se atém somente aos processos utilizados em sala de aula, onde devemos observar os espaços que serão utilizados, a organização que se configura a sala, as relações interativas que os alunos tem com os objetos ou recursos utilizados, e não podemos esquecer neste processo como a distribuição do tempo é administrada, e como as relações se relacionam como professor/aluno, aluno/aluno, aluno/sala de aula, aluno/escola. 
Para a prática educativa todo planejamento deve ser previsto anteriormente, e dentro deste processo devemos estar atentos as intenções, as previsões, as expectativas e a avaliação dos resultados. Para esta tarefa muitos recursos podem ser utilizados como: uma exposição, um debate, uma leitura, uma pesquisa bibliográfica, tomar notas, uma ação motivadora, uma observação, uma aplicação, um exercício, o estudo, uma maquete, um jogo, etc.





Fonte: Zabala, Antonio, A Prática Educativa: como ensinar ; Porto Alegre, ARTMED, 1998

domingo, 2 de agosto de 2015

Competências do Ensino Médio.

Competências do Ensino Médio.
Por favor, professor, qual a mais importante competência a desenvolver em alunos do Ensino Médio, para que com mais facilidade aprendam e mais sucesso mostrem nos exames vestibulares?  

Por favor, professor, qual músculo mais importante desenvolver para que meu filho se transforme em um excelente jogador de futebol e possa, no futuro, ganhar o que ganha hoje um dos Ronaldos?  

Embora aparentemente diferentes, as duas perguntas possuem algo em comum: a impossibilidade de uma resposta. Realmente é tão absurdo falar-se em uma competência a desenvolver, quanto acreditar-se que um único músculo possa ajudar a prática deste ou daquele esporte e, pior ainda, garantir a integridade do sucesso. O mais coerente é pensar em quais competências desenvolver e ainda assim acreditar que através de muito esforço e treino essas competências levam o aluno a aprender melhor, fato que absolutamente não significa que o tornará capaz de driblar os imensos labirintos que o farão atravessar as estreitas portas dos vestibulares mais concorridos.
O desenvolvimento desse elenco de competências não representa segredo deste ou daquele professor, antes se insere nos próprios documentos que analisam os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio e estão claramente enunciadas nos Documentos Introdutórios dos Exames Nacionais do Ensino Médio. Em síntese, esses documentos enfatizam:  
 1º- As competências que se necessita estimular devem ser vistas como modalidades estruturais das Inteligências e, portanto, um conjunto de ações e operações que  devem ser usadas para estabelecer relações múltiplas e resolver problemas. Desde que devidamente adquiridas, geram habilidades (saber fazer) e, portanto, pensar em competência significa explorar a faculdade de mobilizar diferentes recursos cognitivos para com eficiência e pertinência enfrentar e solucionar desafios. Em síntese, “competência” significa compreender uma pergunta e mobilizar os elementos estruturais que se tem na cabeça para encontrar uma resposta eficiente.  
 2º- Compreendendo-se com clareza o que efetivamente é uma competência, chega-se ao elenco das que são as mais importantes, ainda que não exclusivas. Entre estas, cabe destacar a capacidade de abstração que se desenvolve no aluno e que se conquista, paradoxalmente, “tirando-o” dos seus pensamentos e levando-o a “pensar no que antes nunca pensou” – que é o tema que se trabalha – para logo depois “trazê-lo de volta” associando o que descobriu com o que de novo pensou com o seu mundo, seu entorno, seus conhecimentos. Com esta competência o aluno não aprende como quem apenas veste uma camisa, mas tal como a que a transforma na sua segunda pele, contextualizando-a a suas emoções e aos encantos de sua vida e sua realidade circunstancial. Simultaneamente à essa competência, é importante estimular a capacidade desse aluno em assumir um pensamento sistêmico não mais percebendo o que aprendeu como “ algo solto” na memória mas como parte integrante de um todo. Conquistar essa maneira de pensar é jamais  confundir capítulo com novela ou degrau com escada,  mas como uma das partes da mesma que assim insere esse saber em outros mais amplos que, por sua vez, em outros ainda mais amplos mais intensamente o insere.  
 3º- Outras duas importantes competências a estimular, ainda diante do mesmo tema ou elemento do aprender, são uma visão criativa e uma ação curiosa. A criatividade se manifesta pelas associações indispensáveis que se fará entre o objeto do saber e a vida que se vive – se a cena da aula de história se associa ao lance futebolístico inesquecível, essa cena melhor será preservada na memória episódica – e essa criatividade não se manifesta caso o professor não levante perguntas intrigantes, desafios curiosos, propostas inusitadas que por alcançar a surpresa levará o aluno a conquista de uma resposta criativa.  
 4º- Essa resposta, entretanto, jamais deverá ser solução única, elemento solto que divaga pela memória explícita e sim uma resposta com diferentes alternativas e caminhos de diferentes aplicações. Essa busca de alternativas diferentes não se conquista senão pelo treino e não existe espaço mais fértil para o mesmo que a sala de aula. Até que ponto a solução que se encontrou na matemática é válida para a geografia? Possa usar em história os passos que, em língua portuguesa, aprendi na análise sintática? Quando, através do insubstituível exercício do treino puder o aluno caminhar por essas múltiplas alternativas para uma mesma resposta, deverá aprender a trabalhar em equipe e dessa forma compartilhar saber nem como quem “ensina” o colega ou como que dele “aprende” mas como quem divide experiências e, literalmente, troca idéias. Ora, o que é uma “troca” de idéias sem o espírito de um verdadeiro intercâmbio que enriquece todos envolvidos na busca dos mesmos caminhos. Trabalhar em equipe, entretanto, não simboliza competência que nasce da simples junção de pessoas, mas e ainda uma vez, do treino. Treino em que se aprende a aceitar criticas e a fazê-las, onde se exercita com o outro o sentido de uma verdadeira cooperação. Trabalhar em equipe – desculpe a sensualidade da imagem – é mais ou menos como plenamente usufruir o sexo; sem autêntica parceria, igualada pela intensidade da troca, essa relação transforma-se em masturbação à dois.  
 5º- Ao se alcançar essas competências chega o momento de se inventariar outras e entre estas é essencial o aprimoramento da comunicação que se faz, buscando as melhores palavras para com mais vigor se estimular idéias e o refazer das frases prontas, na busca de melhor fazê-las. Jamais um texto pode ser tão primoroso que não possa se beneficiar de uma revisão cuidadosa que não apenas o corrija, mas que possa imprimi-lo de maior beleza, mais cuidadosa precisão. Isto alcançado, chega-se finalmente ao desenvolvimento da competência de se buscar novos conhecimentos, sem jamais deixar de se exercitar diferentes habilidades – comparar, analisar, classificar, sintetizar, conceituar, expressar, descrever, contextualizar e outras mais – que, em última análise, nada mais é que  ensinar o aluno a pensar.  
 É evidente que nesta síntese não se buscou objetivos explícitos e conhecimentos específicos de cada disciplina que, por sua vez, também tem outras competências a sugerir. Mas, quando esses caminhos se trazem para a aula, atribua-se o nome que se queira atribuir, em verdade o professor está verdadeiramente ensinando, pois tem em mente um aluno que essencialmente nada mais pede que o direito de aprender. Assim agir não significa apenas pensar no que faz, mas inclui também pensar para quem se faz.

Celso Antunes

Celso Antunes
- Formado em Geografia pela Universidade de São Paulo (USP);
- Mestre em Ciências Humanas pela Universidade de São Paulo (USP);
- Especialista em inteligência e cognição;

Fonte: Portal Eduka

segunda-feira, 13 de julho de 2015

COMO DESPERTAR O GOSTO PELA LEITURA

Quando o assunto é o gosto pela leitura, eu sempre pensei – apesar de nunca ter comprovado através de bibliografia específica – que dois tipos de atitudes do professor são necessários: um passivo, outro ativo.
ANDRÉ GAZOLA
André Augusto Gazola é formado em Letras, professor de Literatura e História da Arte, pós-graduando em Metodologia de Ensino de Língua Portuguesa e Literatura e fundador do blog Lendo.org.É casado e mora em Bento Gonçalves-RS.


ATITUDES PASSIVAS
Julgo como atitudes passivas todas aquelas que tenham como objetivo criar um ambiente no qual o aluno sinta-se envolvido pelo mundo dos livros e da literatura sem, contudo, ver isso como uma imposição.

Na sala de aula, reservar um lugar (ou vários) para colocar livros.
Comumente, quando o professor chega com livros na sala de aula, há um sentimento geral de “ahh, hoje vai ser aula de leitura”. E isso é ruim. Os alunos devem encarar a leitura como algo comum, que podemos fazer a qualquer hora, em qualquer lugar. Para isso, é necessário eliminar esse sentimento de estranheza em relação aos livros. Dessa forma, ao reservar espaços para eles na sala de aula, os alunos acabam acostumando a, vez ou outra, pegar um livro ao menos para folhear. Claro que, dependendo da escola, não existe a possibilidade de deixar os livros permanentemente na sala de aula. Porém pensaria em levá-los a cada aula e reservar um (ou dois, ou três, ou os quatro) cantos da sala para deixá-los “expostos”.

O professor como exemplo de leitor
Durante meus anos de escola (e até de universidade), vi vários professores falando sobre os benefícios da leitura, afirmando que devemos ler livros clássicos e ressaltando suas qualidades.
Muitos deles, no entanto, nunca foram vistos com um livro embaixo do braço.
Essa atitude de mostrar que “eu sou o professor e leio, olhem aqui meu livro” me parece ser uma das mais importantes para estimular os alunos a ler, pelo simples fato de que isso desperta curiosidade. Muitas pessoas leem, e começam a ler depois de ficarem curiosos sobre aquele best seller que viram na revista. Tudo bem, estimular a leitura de best sellers não é exatamente nosso objetivo, mas começar diretamente pelos clássicos será, no mínimo, traumatizante.
Em síntese, creio que o professor deve mostrar amor pela leitura. Não gosto, nem hábito, mas amor. Esse é o tópico imprescindível.

ATITUDES ATIVAS
Chamo de atitudes ativas aquelas efetivamente desempenhadas pelo professor de forma a criar uma interação entre os alunos e a leitura. Acredito que o resultado das atitudes ativas é altamente influenciado pelas atitudes passivas, daí a importância dessas últimas. A seguir, falo de algumas atitudes ativas que eu busco praticar com meus alunos.

Apresentar textos de interesse dos alunos e destacar a utilidade da literatura
Óbvio. Os alunos não terão interesse em textos que não tenham nada a ver com suas realidades ou que não despertem algum tipo de sentimento. Ninguém, mesmo um apaixonado por leitura, lê por ler. É preciso um motivo. É preciso gostar. É preciso ter necessidade.
Nós, como professores, temos condições de perceber quais os interesses de nossos alunos. Essa é uma tarefa relativamente fácil. A partir disso, podemos selecionar textos de acordo com seus gostos e apresentá-los, lê-los, interpretá-los, mostrar que um texto (ou um livro) é, de certa forma, um amigo com o qual podemos conversar e trocar ideias. Então caímos num ponto importante: precisamos mostrar a utilidade da leitura. Sempre observei que a maioria dos alunos não vê utilidade naquilo que lê. Isso não é culpa deles. É culpa da sociedade, desse mundo tecnicista e de puro senso prático e imediato. Quando se começa a ler ficção, é difícil perceber como ela é útil em nossas vidas. Por isso, quem sabe alguns livros de não-ficção possam ser uma boa escolha nesse sentido de criar um senso de necessidade e utilidade.

Organizar atividades a partir da leitura e fazer relações internas e externas
Em abril de 2008, publiquei um texto no extinto blog Bravus.net, no qual faço sugestões de atividades para trabalhar com o clássico de Miguel de Cervantes, Dom Quixote.
Muitas das atividades sugeridas podem ser adaptadas e utilizadas para quaisquer livros, então transcrevo-as abaixo:
1. Fazer a leitura em voz alta de alguns capítulos da obra: alunos e professor intercalando a leitura e criando curiosidade quanto ao resto da história. É muito mais divertido que uma leitura solitária;

2. Jogo de incorporação à leitura: escolhemos um capítulo ou trecho e fazemos algumas marcas no texto (a cada duas ou três linhas). Um aluno inicia a leitura em voz alta e, seguindo uma ordem estabelecida antecipadamente, um novo aluno começa a ler a cada marca do texto, até que todos estejam lendo juntos;

3. Feira de leitura: o grupo encarregado da atividade anunciará — como faziam os leiloeiros antigamente — que em determinada hora e lugar será feita a leitura de certo trecho do livro. Também farão cartazes anunciando o grande acontecimento;

4. Leitura dramatizada: um grupo prepara a narração de algum capítulo da obra para contar aos outros (ao ar livre), utilizando imagens sequenciais dos fatos. Os narradores podem vestir-se conforme o estilo da época e pode-se encenar alguns personagens;

5. Leitura musical: cada grupo fica responsável por um capítulo e escolhe uma música que combine com o trecho a ser lido. Durante a leitura podem ser feitas pausas para ouvir a música, que ficará de fundo para os narradores.

6. Brincar com personagens:
Imaginar como são, desenhá-los, descrevê-los;
Procurar fotos dos personagens na internet e montar um mural. Depois ler em voz alta algumas falas para ver se os alunos descobrem de que personagem são;
“Quem é quem?” com os personagens do mural. Dividir a sala em dois grupos pode ser divertido aqui.
Desfile de modelos: entregamos a foto de um personagem e os alunos devem descrevê-lo utilizando comentários como se fosse um desfile de moda;

7. Escolher um capítulo e adaptá-lo para linguagem teatral.

Enfim, muitas outras podem ser pensadas.
Para terminar, o que quero dizer com “relações internas e externas”?
Chamo de relações internas aquelas feitas entre a literatura e a própria literatura. Se um livro faz menção a outro, comentar sobre esse outro. Se um autor tem alguma relação com outro (Luis Fernando Veríssimo com Érico Veríssimo, por exemplo), comentar sobre essa relação, estabelecer diferenças, destacar influências, tornar a questão humana, não só objeto de estudo.
Chamo de relações externas aquelas estabelecidas entre a literatura e outras áreas do conhecimento. Se falamos de Dom Quixote, podemos fazer uma atividade de procurar em um mapa onde fica o “Canal da Mancha” — uma relação entre literatura e geografia. Se lemos Cíntia Moscovich e seus personagens judeus, podemos explicar um pouco sobre esse povo e as atrocidades que viveram na Segunda Guerra — uma relação entre literatura e história. Se lemos Jane Austen e suas heroínas perspicazes que recusam-se a um casamento arranjado, podemos comentar esse tipo de situação que ocorria até fins do século XIX — uma relação entre literatura, história, sociologia e antropologia. E assim por diante.
Enfim, essas são algumas ideias que acredito serem eficazes para estimular o gosto pela leitura. Sei que cada contexto exige posturas diferentes por parte do professor, mas espero que você possa aplicar ao menos algumas dessas sugestões com seus alunos.