Curso interessante sobre "Epistemologia e Didática", Cursos USP, sobre a função da escola.
sábado, 16 de janeiro de 2016
sábado, 26 de dezembro de 2015
A definição de um estatuto de infância.
A definição de um estatuto de
infância. Segundo as ideias do historiador Philippe Ariès,
de que forma foram aparecendo historicamente a figura do bebê, e a infância?
Carine
Dias Soares
Jaqueline Correa Lemos
Jaqueline Rosa
Luciana Menezes Arco
O
historiador Philippe Ariès, dentro de sua pesquisa identificou que as crianças
eram vistas na era medieval como “Um adulto em miniatura” apenas o que os
distinguia dos adultos era sua estatura, e os materiais utilizados para a
análise foram: retratos, quadros, vestígios de objetos como brinquedos e
roupas, esculturas e monumentos funerários. Por um grande período a infância
não apresentava uma importância significativa para a sociedade já que era
transitória e suas lembranças logo seriam perdidas sua posição era tão
insignificante que quando morria era considerada uma perda eventual ou algo
inevitável projetando um sentimento de indiferença.
Ariès
afirma em seus estudos que na Idade Média não havia sentimento de infância e
somente a partir do século XVII é que começa a ter um primeiro sentimento pela
infância onde a família olha para a criança acalentando um sentimento de “engraçadinha”
e assim sendo, considerada como um indivíduo que servia para o encanto dos
adultos.
No
século XII a criança não apresentava nenhuma característica que a diferenciasse
do adulto, apenas eram figuras de homenzinhos menores com a mesma musculatura
de um adulto. Já século XIII começa a aparecer muito vagamente a ideia de
infância, as crianças eram representadas como anjos com a aparência de um rapaz
jovem com traços arredondados e graciosos mais próximas ao sentimento
contemporâneo. Esse tipo de anjo foi muito comum durante o século XIV. Um
segundo tipo de criança seria o modelo de todas as crianças pequenas da
história da arte: o Menino Jesus. No início era retratado como uma redução do
adulto e depois foi ficando mais arredondado e com traços mais delicados e um
terceiro tipo aparece na fase gótica que foi a criança nua.
No
século XV surgem dois tipos de representação da infância o retrato e o Putti.
Putti é o termo usado na arte que se refere a figura de um menino nu, quase
sempre do sexo masculino e representado frequentemente com asas se assemelhando
muito aos bebês. Nesta mesma época houve o aparecimento do retrato da criança
morta que foi um momento muito importante na história do sentimento pois
mostrava que a criança não era mais considerada facilmente como uma perda
inevitável.
E
finalmente, no século XVII, tornaram-se numerosos os retratos de crianças
isoladas e passou a ser um dos modelos favoritos, pois cada família, agora,
queria possuir retratos de seus filhos quando crianças, o que é, até hoje,
costume que nunca desapareceu. A fotografia substituiu a pintura, mas o
sentimento de guardar a fase infantil dos filhos não mudou.
Já
a aprendizagem das crianças e adolescentes encontrava-se ligada às práticas
familiares e à classe social a qual pertencia; a partir do século XVI que
começam a surgir vários dispositivos que promovem o surgimento de outros
segmentos como escolas, tutores, internatos para a difusão da educação e o enclausuramento
destes. Inicialmente tínhamos o setor religioso que durante uma longa data veio
a se preocupar com a criança e seu futuro, esses jovens eram valorizados e se
tornavam alvo de disputa, sendo visados como futuros católicos ou protestantes.
Nesse período a juventude era vista sem uma definição etária, mas cuja
particularidade era a de estar em desenvolvimento.
No
decorrer de seu desenvolvimento, a definição de um estatuto da infância que veio
garantir aos jovens que fossem doutrinados, a fim de manter a ordem e os bons
costumes, preservando intacta e imaculada a instituição católica. A
escolarização, que também era obrigatória e preparatória para a vida religiosa
ou para a nobreza, era apenas para os filhos dos ricos e dos nobres, sendo
ministradas as aulas de latim e demais conteúdos em casa com o preceptor ou nos
colégios jesuítas; a família pouco se envolvia e quando muito dividia as
responsabilidades. Em função disso havia pouco afeto entre pais, filhos e entre
irmãos, sendo comum ocorrerem crimes que eram compreendidos com naturalidade. Os
filhos dos artesãos e dos camponeses não frequentavam a escola e desde muito
pequenos já aprendiam o ofício dos pais para ajudar a família.
Claro que a evolução
histórica brasileira não coincidiu com
a do continente europeu, que até aproximadamente do século XIX tinha-se uma
concentração da população na área rural, onde o trabalho das crianças e
adolescentes mantinha-se como mão de obra familiar.
Por
isso temos que dizer que a compreensão histórica do estatuto da criança,
baseado na análise de Ariès, se dá a partir da ligação desta com as classes
sociais dominantes. Acreditamos que hoje o jovem continua sendo um alvo, não
apenas religioso, mas político; onde lideranças políticas e religiosas disputam
entre si a atenção e a capacidade do jovem para socializar, difundir e defender
seus ideais.
Referência bibliográfica
Julia
Alvarenga e Fernandes Alvarez-Uria, Maquinaria
Escolar.
https://moodle.ufrgs.br/pluginfile.php/1348639/mod_resource/content/1/VARELA%20Maquinaria%20Escolar.pdf acessado 01/10/2015.
Aries,
Philippe, História Social da Criança e da
Família.
domingo, 6 de dezembro de 2015
Método Clinico
Como não
tenho turmas de alfabetização inicial e no caso minha disciplina é a Geografia,
estou com turmas de 2ª e 3ª anos do ensino médio e senti muita dificuldade por
parte de meus alunos na compreensão dos textos, em não ter o hábito de estudar
e muito menos em ter o hábito de escrever, fato que chega a ser prejudicial
para as aprendizagens recebidas ao longo do ensino fundamental I e II.
Mesmo o meu
trabalho sendo realizado no final do ensino básico, me preocupo constantemente
a ponto de pensar em como orientar esses adolescentes a ponto de tentar
construir uma prevenção e que eles não se tornem futuros analfabetos.
É um
trabalho em que está construção, pois minha prática na docência é recente e
ainda estou construindo as minhas aprendizagens. Foi uma organização pensada e
estudada desde o início do ano mas vou descrever como se realizou neste último
semestre no conteúdo de urbanização e industrialização, procurei trabalhar do
modo como descrevi e ao mesmo tempo tentei apoia-lo no método clinico estudado
nesta última atividade da nossa interdisciplina, espero ter compreendido os
textos e laminas.
Proposta de
exploração: onde foi exposto o conteúdo, no qual os conceitos eram
contextualizado com exemplos de ordem global/regional e indagado aos alunos
sobre o que ele conhecia, exemplificando sobre o assunto em uma ordem local.
Proposta de
justificação: realizado com exercícios dissertativos, como forma de incentivo a
escrita, onde devia-se comparar com o que se sabe e a leitura dos textos do
livro ou de pesquisa, onde é incentivado ajuda mútua de todos, no entanto com
respostas individuais. Com avaliação e solicitação de retorno quando necessário
e debates sobre as respostas dos exercícios.
Proposta de
controle: atividade em grupo para apresentação, quando está ocorrer os colegas
que estão assistindo deverão fazer pareceres sobre o conteúdo apresentado, sua
clareza e avaliação; os grupos de apresentação deverão ser pequenos ou
individuais.
Alfabetizar, Alfabetização
No Texto Ver,
criar e compreender, a autora Analice Dutra Pillar identificou através das
observações em sua sala de aula que a criança procura reconstruir o seu meio a
partir dos desenhos, identificando assim que a criança no início do
desenvolvimento procura fazer com que “o desenho começa
como uma escrita e a escrita como um desenho”. E também identificou como Luquet descreveu as fases:
a criança em um primeiro instante tem o Desenho
Involuntário (Realismo Fortuito) onde desenha pelo prazer visual, gestual,
de traçar linhas sem a intensão de representar, já em uma segunda fase ocorre o
Desenho Voluntário quando a criança
representa seu meio a partir do desenho, apresentando alguma semelhança e a
terceira que é Incapacidade Sintética quando são construídas as formas
diferenciadas para cada objeto.
No
Realismo Intelectual a criança já identifica
o objeto em sua forma e cor. É nesta fase que a criança inicia a identificação
de espaço, forma e cor dentro de uma cena, linha de chão. Para Piaget, nesta
fase se inicia a identificação das relações de projeções e secções e de
proporções e distâncias. E por último Realismo Visual nesta fase a criança
procura desenhar a sobreposição, a opacidade, as distâncias e as proporções dos
objetos e sua perspectiva.
No texto de Sônia Borges, é tratado a construção da
alfabetização, como surge a escrita no imaginário da criança e como são
associados os ideogramas da escrita com o sentido que é atribuído pelo sujeito.
Para Emília Ferreiro, que em seus estudos era
preocupação de que forma a criança aprende, identificou na leitura e na escrita,
que o sujeito cria sistemas de representação em processo contínuo para representar
as imagens e os sons em escrita. Sendo
que cada indivíduo constrói sua própria aprendizagem, e esta é gradual, onde
cada salto cognitivo depende da assimilação e de uma reacomodação dos esquemas
internos onde interpretamos o conhecimento que recebemos.
Já
nos estudos de Piaget (1896-1980), a assimilação do conhecimento só será feita
a partir das descobertas que a própria criança realiza, e assim para educar tem
que “provocar a atividade”, ou seja, estimular a procura do conhecimento. O ser
humano apresenta estágios de desenvolvimento, onde para se reconstruir a
escrita deve antes apropriar-se dela, e em cada estágio de desenvolvimento
intelectual ganha-se em complexidade e abstração. Para os alunos se apropriar
do conhecimento deve-se ter o contato com o objeto. E para Vygotsky, a
aprendizagem também tem influência do meio social em que vive, já que a escrita
representa o mundo.
O
sujeito epistêmico está na origem de suas representações sobre as coisas do
mundo, ele busca satisfazer suas curiosidades sobre o meio testando, representando
o que vê. A linguagem oral e escrita é objetiva e representativa. A escrita é a
construção representativa do som (linguagem oral), e como prática social é
sempre um meio nunca um fim se torna a resposta a um objetivo. Muitas vezes o que o professor ensina não
é o mesmo que as crianças aprendem, essa aprendizagem não corresponde nem um
pouco com aquilo que lhes foi ensinado, como se fosse uma distorção da
realidade do professor.
A partir dessas observações me veio a lembrança as
dificuldades em que meus alunos tiveram em entender o conteúdo esse ano sobre a
evolução do capitalismo em suas fases, onde tinha que associar o desenvolvimento
do sistema de produção na sua evolução histórica e assim podermos nos aproximar
nas relações dos grandes blocos econômicos atuais. Trabalhar esse conteúdo e
procurar fazer uma interligação com as outras áreas do saber foi um esforço bem
cansativo pois os alunos não compreendiam como que a geografia pode dialogar
com a biologia, com a história, sociologia enfim com as outras disciplinas e
tenha uma interligação que as únicas diferenças são como você direciona o olhar
para aquele tema.
Procurei trabalhar desde os assuntos relacionados a
que os alunos tinham conhecimento e a partir destes foram realizados debates,
utilização de mapas, vídeos, leitura de textos com exercícios de compreensão,
quadro resumo para o trabalho dos conteúdos da grade curricular. Todas as
atividades foram articuladas para que o aluno não somente fizesse as atividades
para o fim de uma nota final, mas que o fizesse refletir sobre como as
atividades econômicas globais podem influenciar no seu mundo local e como ele,
um ser individual, pode ter ações que modifiquem de forma positiva o meio em
que vive.
BIBLIOGRAFIA:
Coleção memória da
Pedagogia, n.5: Emilia
Ferreiro: a construção do conhecimento. Alfabetização,
representação e diferença. Rio de Janeiro: Ediouro; São Paulo:
Segmento-Duetto, 2005.
Coleção memória da
Pedagogia, n.5: Emilia
Ferreiro: a construção do conhecimento. Ver,
criar e compreender. Rio de Janeiro: Ediouro; São Paulo: Segmento-Duetto,
2005.
Construção da escrita - Programa
de Formação de Professores Alfabetizadores. Site Revista Nova
Escola http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/alfabetizacao-inicial/alfabetizacao-video-profa-construcao-escrita-parte-3-545609.shtml acessado em 02/12/2015.
Duarte,
Karina. Rossi, Karla. Rodrigues, Fabiana. O PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO DA
CRIANÇA SEGUNDO EMILIA FERREIRO. Ano VI – Número 11 – Janeiro de 2008 –
Periódicos Semestral. REVISTA CIENTÍFICA ELETÔNICA DE PEDAGOGIA – ISSN:
1678-300X. http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/2010/artigos_teses/2010/Pedagogia/aprocesso_alfab_ferreiro.pdf
acessado em 30/10/2015.
Jean Piaget:
O cientista suíço revolucionou o modo de encarar a educação de crianças ao
mostrar que elas não pensam como os adultos. http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/jean-piaget-307384.shtml acessado em 30/10/2015.
sábado, 5 de dezembro de 2015
INFÂNCIA SOFT
Infância soft representada basicamente a partir da
inocência e da beleza, principalmente, e que tem por objetivo vender não só
produtos, mas concepções do que deve ser um corpo bonito, admirado ou não, do
que deve ser visibilizado e o que deve ser escondido. A partir das imagens
podemos inserir, incutir processos de pensamentos com vários significados ou
até mesmo preconceitos de tal forma que aquele que está exposto constantemente
nem se dá conta e absorve tal significados como seus.
Nas propagandas normalmente é mostrada crianças
brancas, que são Soft, ou seja, em contexto implícito de suavidade. Podemos
identificar como exemplo na figura acima, na Revista Vogue Cadeaux, onde
visualizamos uma criança branca com roupas de adulto, em um decote sensual,
sapato de adultos e maquiagem carregada onde o olhar sensual para demonstra
além da suavidade que o conceito de infância traduz, e ao mesmo tempo sensual e
o proibido. Esse apelo mostra um lado perigoso para as crianças pois passam a
serem incentivadas a uma sexualidade muito cedo. O psicanalítico Sigmund Freud,
já em seus estudos, observou que as crianças desde os 3 anos já apresentam essa
curiosidade a respeito de como produzir prazer, mas estas ligadas mais as
diferenças que existe no meu corpo com a do outro e não com a visão biológico, como
no ato reprodutor.
Mas
a mídia já consciente do lado consumista em que se encontra nossa sociedade
procura utilizar técnicas de persuasão e de sedução nas propagandas, essas
crianças que ainda estão em formação são convencidas a ter necessidade de
adquirir determinados produtos para serem felizes e que devem convencer seus
pais a ceder para que eles sejam felizes, já muitos desses pais em suas ânsias
de não querer prejudicar a educação de seus filhos acabam por confundir afeto
pelo o ato de ter, com medo do diálogo e do convívio com seus filhos. Estes
mesmos pais também precisam se conscientizar que nem tudo que seus filhos
querem é o que necessitam e que certas regras se fazem necessárias para que
nossas crianças e adolescentes sejam protegidos deste bombardeiro de
desinformações e apelos sexuais.
Referência
bibliográfica
BORGES, Camila Bettim;
CUNHA Susana Rangel Vieira da. Retratos
de uma infância contemporânea: os bebês nos artefatos visuais. Textura, v.
17, n. 34, p. 99-111, 2015.
Educação
de Crianças em Creches. Salto para o Futuro https://www.youtube.com/watch?v=Ob3QcgXYHeU
acessado em 01/12/2015
SABAT, Ruth. Pedagogia cultural, gênero e sexualidade
http://www.scielo.br/pdf/ref/v9n1/8601.pdf
acessado em 01/12/2015.
SILVA, A.P.S; PANTONI,
R.V. Apresentação da Série Educação de
Crianças em Creches. Salto para o
Futuro (Online), Ano XIX, n° 15, p. 5-16, out 2009.
terça-feira, 1 de dezembro de 2015
História da Educação dos Filhos
Palestra muito interessante sobre a História da Educação dos Filhos, como evolui as diversas formas de educar as crianças ao longo do Século XX.
Rosely Sayão é psicóloga formada pela PUC de Campinas.
Rosely Sayão é psicóloga formada pela PUC de Campinas.
Livros publicados:
- Como educar meu filho? (2003, Publifolha),
- Em defesa da escola (2004, Editora Papirus),
- Família: modos de usar (2006, Editora Papirus).
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