segunda-feira, 13 de julho de 2015

COMO DESPERTAR O GOSTO PELA LEITURA

Quando o assunto é o gosto pela leitura, eu sempre pensei – apesar de nunca ter comprovado através de bibliografia específica – que dois tipos de atitudes do professor são necessários: um passivo, outro ativo.
ANDRÉ GAZOLA
André Augusto Gazola é formado em Letras, professor de Literatura e História da Arte, pós-graduando em Metodologia de Ensino de Língua Portuguesa e Literatura e fundador do blog Lendo.org.É casado e mora em Bento Gonçalves-RS.


ATITUDES PASSIVAS
Julgo como atitudes passivas todas aquelas que tenham como objetivo criar um ambiente no qual o aluno sinta-se envolvido pelo mundo dos livros e da literatura sem, contudo, ver isso como uma imposição.

Na sala de aula, reservar um lugar (ou vários) para colocar livros.
Comumente, quando o professor chega com livros na sala de aula, há um sentimento geral de “ahh, hoje vai ser aula de leitura”. E isso é ruim. Os alunos devem encarar a leitura como algo comum, que podemos fazer a qualquer hora, em qualquer lugar. Para isso, é necessário eliminar esse sentimento de estranheza em relação aos livros. Dessa forma, ao reservar espaços para eles na sala de aula, os alunos acabam acostumando a, vez ou outra, pegar um livro ao menos para folhear. Claro que, dependendo da escola, não existe a possibilidade de deixar os livros permanentemente na sala de aula. Porém pensaria em levá-los a cada aula e reservar um (ou dois, ou três, ou os quatro) cantos da sala para deixá-los “expostos”.

O professor como exemplo de leitor
Durante meus anos de escola (e até de universidade), vi vários professores falando sobre os benefícios da leitura, afirmando que devemos ler livros clássicos e ressaltando suas qualidades.
Muitos deles, no entanto, nunca foram vistos com um livro embaixo do braço.
Essa atitude de mostrar que “eu sou o professor e leio, olhem aqui meu livro” me parece ser uma das mais importantes para estimular os alunos a ler, pelo simples fato de que isso desperta curiosidade. Muitas pessoas leem, e começam a ler depois de ficarem curiosos sobre aquele best seller que viram na revista. Tudo bem, estimular a leitura de best sellers não é exatamente nosso objetivo, mas começar diretamente pelos clássicos será, no mínimo, traumatizante.
Em síntese, creio que o professor deve mostrar amor pela leitura. Não gosto, nem hábito, mas amor. Esse é o tópico imprescindível.

ATITUDES ATIVAS
Chamo de atitudes ativas aquelas efetivamente desempenhadas pelo professor de forma a criar uma interação entre os alunos e a leitura. Acredito que o resultado das atitudes ativas é altamente influenciado pelas atitudes passivas, daí a importância dessas últimas. A seguir, falo de algumas atitudes ativas que eu busco praticar com meus alunos.

Apresentar textos de interesse dos alunos e destacar a utilidade da literatura
Óbvio. Os alunos não terão interesse em textos que não tenham nada a ver com suas realidades ou que não despertem algum tipo de sentimento. Ninguém, mesmo um apaixonado por leitura, lê por ler. É preciso um motivo. É preciso gostar. É preciso ter necessidade.
Nós, como professores, temos condições de perceber quais os interesses de nossos alunos. Essa é uma tarefa relativamente fácil. A partir disso, podemos selecionar textos de acordo com seus gostos e apresentá-los, lê-los, interpretá-los, mostrar que um texto (ou um livro) é, de certa forma, um amigo com o qual podemos conversar e trocar ideias. Então caímos num ponto importante: precisamos mostrar a utilidade da leitura. Sempre observei que a maioria dos alunos não vê utilidade naquilo que lê. Isso não é culpa deles. É culpa da sociedade, desse mundo tecnicista e de puro senso prático e imediato. Quando se começa a ler ficção, é difícil perceber como ela é útil em nossas vidas. Por isso, quem sabe alguns livros de não-ficção possam ser uma boa escolha nesse sentido de criar um senso de necessidade e utilidade.

Organizar atividades a partir da leitura e fazer relações internas e externas
Em abril de 2008, publiquei um texto no extinto blog Bravus.net, no qual faço sugestões de atividades para trabalhar com o clássico de Miguel de Cervantes, Dom Quixote.
Muitas das atividades sugeridas podem ser adaptadas e utilizadas para quaisquer livros, então transcrevo-as abaixo:
1. Fazer a leitura em voz alta de alguns capítulos da obra: alunos e professor intercalando a leitura e criando curiosidade quanto ao resto da história. É muito mais divertido que uma leitura solitária;

2. Jogo de incorporação à leitura: escolhemos um capítulo ou trecho e fazemos algumas marcas no texto (a cada duas ou três linhas). Um aluno inicia a leitura em voz alta e, seguindo uma ordem estabelecida antecipadamente, um novo aluno começa a ler a cada marca do texto, até que todos estejam lendo juntos;

3. Feira de leitura: o grupo encarregado da atividade anunciará — como faziam os leiloeiros antigamente — que em determinada hora e lugar será feita a leitura de certo trecho do livro. Também farão cartazes anunciando o grande acontecimento;

4. Leitura dramatizada: um grupo prepara a narração de algum capítulo da obra para contar aos outros (ao ar livre), utilizando imagens sequenciais dos fatos. Os narradores podem vestir-se conforme o estilo da época e pode-se encenar alguns personagens;

5. Leitura musical: cada grupo fica responsável por um capítulo e escolhe uma música que combine com o trecho a ser lido. Durante a leitura podem ser feitas pausas para ouvir a música, que ficará de fundo para os narradores.

6. Brincar com personagens:
Imaginar como são, desenhá-los, descrevê-los;
Procurar fotos dos personagens na internet e montar um mural. Depois ler em voz alta algumas falas para ver se os alunos descobrem de que personagem são;
“Quem é quem?” com os personagens do mural. Dividir a sala em dois grupos pode ser divertido aqui.
Desfile de modelos: entregamos a foto de um personagem e os alunos devem descrevê-lo utilizando comentários como se fosse um desfile de moda;

7. Escolher um capítulo e adaptá-lo para linguagem teatral.

Enfim, muitas outras podem ser pensadas.
Para terminar, o que quero dizer com “relações internas e externas”?
Chamo de relações internas aquelas feitas entre a literatura e a própria literatura. Se um livro faz menção a outro, comentar sobre esse outro. Se um autor tem alguma relação com outro (Luis Fernando Veríssimo com Érico Veríssimo, por exemplo), comentar sobre essa relação, estabelecer diferenças, destacar influências, tornar a questão humana, não só objeto de estudo.
Chamo de relações externas aquelas estabelecidas entre a literatura e outras áreas do conhecimento. Se falamos de Dom Quixote, podemos fazer uma atividade de procurar em um mapa onde fica o “Canal da Mancha” — uma relação entre literatura e geografia. Se lemos Cíntia Moscovich e seus personagens judeus, podemos explicar um pouco sobre esse povo e as atrocidades que viveram na Segunda Guerra — uma relação entre literatura e história. Se lemos Jane Austen e suas heroínas perspicazes que recusam-se a um casamento arranjado, podemos comentar esse tipo de situação que ocorria até fins do século XIX — uma relação entre literatura, história, sociologia e antropologia. E assim por diante.
Enfim, essas são algumas ideias que acredito serem eficazes para estimular o gosto pela leitura. Sei que cada contexto exige posturas diferentes por parte do professor, mas espero que você possa aplicar ao menos algumas dessas sugestões com seus alunos.

Habilidades Socioemocionais

Habilidades não cognitivas ou sociemocionais:


Fonte: Revista Neuroeducação, Nº 3, pag. 23

sábado, 27 de junho de 2015

Corporeidade e aprendizagem no cotidiano


A corporeidade é a forma como o nosso cérebro identificação o corpo no mundo em todas as suas dimensões desde material, intelectual e espiritual. Nessa forma de identificação temos os pensamentos que direcionam a construção de nosso conhecimento pelo ato reflexivo de algo que identificamos. Nosso cérebro retém o conhecimento muito mais a partir das experiências que somos suscetíveis.
Com a interação do ser humano com seu meio externo ele identifica-se com as várias sensações experimentadas como o amor, a angústia, a dor, o desespero, o apoio e todas essas sensações é que vão construir o indivíduo de amanhã. Uma das coisas que diferencia o ser humano dos outros animais é justamente essa constante assimilação de conhecimento e sentimentos. Nesta interação para a construção da aprendizagem podemos usar vários signos como a expressão corporal, a delimitação do corpo, o movimento e a manipulação de objetos.
A forma de agir diante de um conhecimento e sua apresentação demanda uma observação do professor de formas de aplicação diferenciadas para cada turma. Como sou professora de Ensino Fundamental II e Ensino Médio, minhas observações se direcionaram a estes alunos. Nas várias interações que direcionei, nos anos anteriores, as mais proveitosas foram as trabalhadas com a questão prática principalmente no 6º ano e no 1ª ano do EM, com a geografia física tem-se uma maior facilidade de trabalhar a questão do aluno no mundo e as suas vivências, a fim de trabalhar as questões de localização e orientação começo com a construção de desenhos e depois com as maquetes da sala de aula onde se pode trabalhar a percepção do indivíduo no local, sua construção de espaço, percepção de distância e de proporção.
No EM, no conteúdo do 1ª ano, sempre procuro trazer para as aulas de cartografia a questão de proporcionalidade e de localização do indivíduo dentro de um âmbito local, regional e global. Trabalhamos a localização da nossa escola no bairro, do bairro na cidade, da cidade no mundo e quando chegamos neste momento confecção do globo e as dificuldades de transportar o real, com sua circunferência para o plano.
Este ano como estou com os segundos e terceiros anos do EM, as dinâmicas já se modificou a fim de o aluno se perceber do local para o regional e por fim se inteirar com o global, procuro trazer representações a partir de filmes, análise de gráficos de produções energéticas e a sua influência no dia a dia, a análise e construção de mapas, a representação teatral.
Mas essa reorganização dos conceitos para um conhecimento corporalizado demanda um maior ato de reflexão por minha parte, muitas vezes essa ressignificação tem um significado para mim como educadora que não chega até meu aluno como esperado sendo assim novas possibilidades devem ser usadas.
 Como no texto “Corporeidade - uma complexa trama disciplinar”, nos traz bem no início “A linguagem é uma dimensão significativa para todo ser humano”, partindo dessa premissa devemos reivindicar as várias formas de signos como imagens, filmes, HQ, desenho, pintura, colagem para representar o conhecimento e incorporarmos a participação do homem no mundo. 
   
Referencia Bibliográfica:

GONÇALVES; C.J.S. Corporeidade: Uma complexa trama transdisciplinar. Corporeidade. Revisão do Conceito. Tese de Doutorado. UNIMEP. 2005.

REGO, Nelson; NUNES, Camila X. As geografias do corpo e a Educação (do) sensível no ensino de Geografia. Rev. Bras. Educ. Geog., Rio de Janeiro, v. 1, n. 1, p. 86-107, jan./jun., 2011. 88. Disponível em: http://www.revistaedugeo.com.br/ojs/index.php/revistaedugeo/article/view/17 Acesso em: 18 junh. 2015.

CÉREBRO/MENTE


O cérebro humano é o órgão do nosso corpo que mais gasta energia para funcionar, só ele consome um quinto dos alimentos que ingerimos. Além disso, se compararmos o tamanho do cérebro de um ser humano com o de um símio houve um aumento de três vezes durante a sua evolução, além que o cérebro do símio era pequeno e apresentava na média meio litro em seu volume. O tempo de evolução entre as gerações do homem e do símio são de aproximadamente 2,5 milhões de anos, isso fez com que ocorressem diferenças, uma delas foi ao aumento de velocidade dos neurônios que chegou em 150 entre cada geração.
Nosso cérebro é o órgão mais complexo que temos, possui a incrível quantidade de 100 bilhões de neurônios. E estes neurônios são os blocos construtores do nosso cérebro e também são a base para nossos pensamentos que são realizadas na forma de impulsos elétricos, se agrupássemos todos os neurônios teríamos a possibilidade de acender uma lâmpada.
Todas as nossas ações são comandadas pelo funcionamento dos neurônios, uma forma de identificar essa influência é quando se ingere bebida alcoólica começamos a sentir certo desequilíbrio, dificuldade na fala, mudança no humor e na falta de memória. 
Já a parte do cérebro que é responsável pela capacidade de aprendermos novas tarefas e executá-las automaticamente é o cerebelo, ou pequeno cérebro. Neste ponto são armazenadas as aprendizagens relacionadas com as atividades práticas como correr, andar, brincar.
O cérebro apresenta relação com várias outras funções do corpo, a retenção da memória de longo prazo que se localiza no córtex, em outras regiões especificas localiza-se a linguagem e as aptidões sociais. Mas o que nos diferencia das outras espécies é a consciência o maior atributo do cérebro.
Na história vários filósofos tiveram a mente como objeto de reflexão, um deles foi Aristóteles que tinha como o cérebro e o coração uma intima relação entre a emoção e o intelecto. Já na modernidade temos a teoria do conhecimento ou epistemologia que principia com Kant e depois com Piaget o estudo da aprendizagem que chamou de epistemologia genética, que descreve a formação do pensamento e do conhecimento humano realizadas ao longo de sua existência.
Piaget era um psicólogo e como tal sua preocupação se direcionava aos fenômenos psíquicos e de comportamento, os neurologistas se ocupam dos distúrbios relacionados ao cérebro e qual o pesquisador que se preocuparia sobre as várias possibilidades de motivação para a aprendizagem?  
Temos a Neuroeducação, um campo recente de pesquisa, onde integram três áreas a psicologia, a educação e a neurociência, seu estudo procura entender os comportamentos da aprendizagem a partir de várias técnicas de captação de informações com a utilização de vários recursos das novas tecnologias como vídeos, multimídia, games e outros. Essa ciência busca compreender como as novas tecnologias da informação estão influenciando na aprendizagem e como eles estão produzindo novos modelos culturais.
Com a revolução técnico-científico-informacional, os meios eletrônicos nos proporcionaram a conhecer muitas regiões e problemas além dos nossos, mas para isso têm que se estar conectados. Internet, multimídia, quadro digital esses novos modelos tecnológicos continuam a promover mais exclusão já que a tecnologia é um produto caro que não está ao alcance de todos.

Em que aspecto a possibilidade de imaginar despertam novas formas de perceber a própria corporeidade e sua diversidade cultural?

No filme Gênio Indomável, podemos visualizar quando o Will é confrontado com o mundo em que vive, com situações de violência na infância, atos de agressividade e rebeldia contra a sociedade, mas no momento que ele se percebe como individuo modificador de seu futuro toda a sua postura em relação a si e a sociedade em que vive aparece em outra ótica.
Nós como professores devemos abordar o conhecimento de uma forma que o aluno se perceba dentro da realidade e que possa se sentir um agente modificador do mundo em que ele está inserido. No momento em que abordamos o tema sobre os países desenvolvimentos e a evolução de suas cidades e as várias realidades podemos descrever tanto os bairros ricos, mas também os bairros pobres e ao mesmo tem relacionarmos com as nossas cidades de países emergentes. Quando se mostra imagens do vale do silício nos Estados Unidos onde tem um parque tecnológico de alta qualidade e logo em seguida compararmos com fotos de trabalho escravo infantil separando peças de computador para reciclagem na china.


Referencia Bibliográfica:
Emergência da Neuroeducação: a hora e a vez da neurociência para agregar valor à pesquisa educacional. Ciências & Cognição 2010; Vol 15 (1): 199-210 http://www.cienciasecognicao.org
Menezes, José Eugenio de Oliveira. As formas de percepção e as mudanças culturais. In Centro Interdisciplinar de Semiótica da Cultura e da Mídia. PUC-SP http://www.cisc.org.br/portal/ 

Vídeo BBC – O corpo HumanoO Poder do Cérebro.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Apavorada

Mais uma tarefa da interdisciplina feita, quando entro no moodle e vejo, só falta os 80% restante.
Quando penso que avancei, continuo atrasada.
Só que também tenho que trabalhar, vamos embora que o dia vai ser longo.


quarta-feira, 17 de junho de 2015

Insegurança

     Como esse blog se destina a apresentar minha trajetória durante o curso de Pedagogia, vou expressar uma apreensão minha. Já tive várias leituras que foram difíceis e incompreensíveis, não vou dizer que desisti pois não foi o caso mas me proporcionou um grande esforço para chegar a compreender os textos, uma delas foi quando comecei a graduação de Geografia em que estava no 2º semestre e fiz uma disciplina do 7ª semestre e que na aula só tinha formandos e eu a única novata, não tinha experiência e pouca leitura sobre o assunto, claro passei, mas foi um desafio.
    Hoje me encontro novamente em dificuldade, não irei desistir mas que vai me propor esforço e muito vai, já são 3 dias de dedicação na leitura de textos que para mim é muito difícil, na disciplina de corporeidade, o primeiro texto já li três vezes o segundo já são duas e até agora não cheguei a nenhuma conclusão e me senti totalmente perdida.


Meu cérebro simplesmente entrou em pane, não está assimilando mais nada.

Merece

 Será que funciona?
Se funciona eu QUERO....

sábado, 13 de junho de 2015

Relações

            Após refletir sobre o filme A.I. Inteligência Artificial, me lembrei de um outro vídeo curto que vi a muito tempo, mas que também representa essa ideia de individualismo, um mundo em que as pessoas se tornam mais solitárias em alguns momentos por que querem em outros por que seus familiares o abandonam....