No Texto Ver,
criar e compreender, a autora Analice Dutra Pillar identificou através das
observações em sua sala de aula que a criança procura reconstruir o seu meio a
partir dos desenhos, identificando assim que a criança no início do
desenvolvimento procura fazer com que “o desenho começa
como uma escrita e a escrita como um desenho”. E também identificou como Luquet descreveu as fases:
a criança em um primeiro instante tem o Desenho
Involuntário (Realismo Fortuito) onde desenha pelo prazer visual, gestual,
de traçar linhas sem a intensão de representar, já em uma segunda fase ocorre o
Desenho Voluntário quando a criança
representa seu meio a partir do desenho, apresentando alguma semelhança e a
terceira que é Incapacidade Sintética quando são construídas as formas
diferenciadas para cada objeto.
No
Realismo Intelectual a criança já identifica
o objeto em sua forma e cor. É nesta fase que a criança inicia a identificação
de espaço, forma e cor dentro de uma cena, linha de chão. Para Piaget, nesta
fase se inicia a identificação das relações de projeções e secções e de
proporções e distâncias. E por último Realismo Visual nesta fase a criança
procura desenhar a sobreposição, a opacidade, as distâncias e as proporções dos
objetos e sua perspectiva.
No texto de Sônia Borges, é tratado a construção da
alfabetização, como surge a escrita no imaginário da criança e como são
associados os ideogramas da escrita com o sentido que é atribuído pelo sujeito.
Para Emília Ferreiro, que em seus estudos era
preocupação de que forma a criança aprende, identificou na leitura e na escrita,
que o sujeito cria sistemas de representação em processo contínuo para representar
as imagens e os sons em escrita. Sendo
que cada indivíduo constrói sua própria aprendizagem, e esta é gradual, onde
cada salto cognitivo depende da assimilação e de uma reacomodação dos esquemas
internos onde interpretamos o conhecimento que recebemos.
Já
nos estudos de Piaget (1896-1980), a assimilação do conhecimento só será feita
a partir das descobertas que a própria criança realiza, e assim para educar tem
que “provocar a atividade”, ou seja, estimular a procura do conhecimento. O ser
humano apresenta estágios de desenvolvimento, onde para se reconstruir a
escrita deve antes apropriar-se dela, e em cada estágio de desenvolvimento
intelectual ganha-se em complexidade e abstração. Para os alunos se apropriar
do conhecimento deve-se ter o contato com o objeto. E para Vygotsky, a
aprendizagem também tem influência do meio social em que vive, já que a escrita
representa o mundo.
O
sujeito epistêmico está na origem de suas representações sobre as coisas do
mundo, ele busca satisfazer suas curiosidades sobre o meio testando, representando
o que vê. A linguagem oral e escrita é objetiva e representativa. A escrita é a
construção representativa do som (linguagem oral), e como prática social é
sempre um meio nunca um fim se torna a resposta a um objetivo. Muitas vezes o que o professor ensina não
é o mesmo que as crianças aprendem, essa aprendizagem não corresponde nem um
pouco com aquilo que lhes foi ensinado, como se fosse uma distorção da
realidade do professor.
A partir dessas observações me veio a lembrança as
dificuldades em que meus alunos tiveram em entender o conteúdo esse ano sobre a
evolução do capitalismo em suas fases, onde tinha que associar o desenvolvimento
do sistema de produção na sua evolução histórica e assim podermos nos aproximar
nas relações dos grandes blocos econômicos atuais. Trabalhar esse conteúdo e
procurar fazer uma interligação com as outras áreas do saber foi um esforço bem
cansativo pois os alunos não compreendiam como que a geografia pode dialogar
com a biologia, com a história, sociologia enfim com as outras disciplinas e
tenha uma interligação que as únicas diferenças são como você direciona o olhar
para aquele tema.
Procurei trabalhar desde os assuntos relacionados a
que os alunos tinham conhecimento e a partir destes foram realizados debates,
utilização de mapas, vídeos, leitura de textos com exercícios de compreensão,
quadro resumo para o trabalho dos conteúdos da grade curricular. Todas as
atividades foram articuladas para que o aluno não somente fizesse as atividades
para o fim de uma nota final, mas que o fizesse refletir sobre como as
atividades econômicas globais podem influenciar no seu mundo local e como ele,
um ser individual, pode ter ações que modifiquem de forma positiva o meio em
que vive.
BIBLIOGRAFIA:
Coleção memória da
Pedagogia, n.5: Emilia
Ferreiro: a construção do conhecimento. Alfabetização,
representação e diferença. Rio de Janeiro: Ediouro; São Paulo:
Segmento-Duetto, 2005.
Coleção memória da
Pedagogia, n.5: Emilia
Ferreiro: a construção do conhecimento. Ver,
criar e compreender. Rio de Janeiro: Ediouro; São Paulo: Segmento-Duetto,
2005.
Construção da escrita - Programa
de Formação de Professores Alfabetizadores. Site Revista Nova
Escola http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/alfabetizacao-inicial/alfabetizacao-video-profa-construcao-escrita-parte-3-545609.shtml acessado em 02/12/2015.
Duarte,
Karina. Rossi, Karla. Rodrigues, Fabiana. O PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO DA
CRIANÇA SEGUNDO EMILIA FERREIRO. Ano VI – Número 11 – Janeiro de 2008 –
Periódicos Semestral. REVISTA CIENTÍFICA ELETÔNICA DE PEDAGOGIA – ISSN:
1678-300X. http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/2010/artigos_teses/2010/Pedagogia/aprocesso_alfab_ferreiro.pdf
acessado em 30/10/2015.
Jean Piaget:
O cientista suíço revolucionou o modo de encarar a educação de crianças ao
mostrar que elas não pensam como os adultos. http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/jean-piaget-307384.shtml acessado em 30/10/2015.
Jaqueline, achei interessante tua reflexão a partir do reconhecimento da necessidade de abordar temas que fazem parte da vida dos alunos e a partir de suas experiências e ideias. Os temas realmente são interligados, mas há uma dificuldade em serem vistos assim. A escola, muitas vezes, faz um grande esforço para separá-los e assim os alunos possuem dificuldade em entender a sua importância e a suas colaborações em determinados temas. E para a vida precisamos auxiliar na visão crítica dos temas, onde cada um tenha seu espaço, respeitem as individualidades e se desenvolvam juntos.
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