Na interdisciplina da EJA (Educação de Jovens e adultos) as professoras nos convidam a refletir sobre essa modalidade de ensino através do texto de Regina Hara e do vídeo do Programa de Formação de Professores Alfabetizadores do MEC, foi um momento que me aproximou um pouco mais dos assuntos que tanto me interessam que é a educação popular e ao mesmo tempo compreender um pouco mais os conhecimentos e as atitudes de minha mãe que por ter de trabalhar muito cedo e de cuidar de 10 irmãos, nunca chegou próximo a escola pois como a mulher, filha mais velha tinha que trabalhar para o sustento da casa desde pequena. E aqui divido um pouco de minhas reflexões sobre uma aproximação a estes alunos tão desvalorizados em suas riquezas de saberes.
É a partir da conscientização de que a educação é um direito de todos que devemos desenvolver ações em prol de uma prática mais inclusiva principalmente das camadas mais populares da sociedade. Para isso precisamos ver que principalmente para o segmento que se relacionam ao EJA, onde temos que ter a visão de que este sujeito está inserido nos mais diversos espaços educativo como na família, no trabalho e na escola, devemos ter um olhar diferenciado pois este aluno faz parte de uma parcela da sociedade em que não teve a possibilidade de concluir sua escolaridade e muitos destes sujeitos se integram a um universo constituído de indivíduos já adultos, alguns jovens, mulheres, idosos, portadores de necessidades especiais, donas de casa, trabalhadores informais e das mais diversas etnias. São indivíduos que já apresentam uma trajetória de vida, com experiências das mais diversas, muitas expectativas e vários saberes, na sua maioria apresentam uma insegurança que muitas vezes os desmotiva e os leva a não concluir seus estudos.
A capacidade de o indivíduo ler e escrever, tem hoje em dia, como uma das necessidades primordial justamente para se inserir no mundo moderno, pois é a partir da utilização destes códigos que a pessoa tem a possibilidade de desenvolver sua autonomia de ir ou vir nos mais variados recantos dos espaços de sua vivência na cidade e no mundo. Não podemos esquecer que estes alunos mesmo não conhecendo estes signos e seus significados trazem consigo uma gama de experiências pessoais e profissionais que foram construídas ao longo de sua trajetória mesmo sem o conhecimento da escrita.
Sendo assim este aluno se configura como diferente do ensino normal já que ele apresenta uma bagagem cultural muito vasta, por ele ser adulto ou adolescente e na sua maioria se encontra dentro do mercado de trabalho, entretanto suas experiências culturais se dão principalmente pelo sistema oral sendo assim é por esta linguagem que devemos começar nossas explorações, como podemos identificar no vídeo “como os adultos não-alfabetizados pensam a língua escrita Ler para aprender - EJA”, do PROFA/MEC, quando as professoras procuram incentivar os conhecimentos dos alunos através das perguntas iniciais de uma forma dialogada com o grande grupo. Em ambos os exemplos tanto da professora Rosilene como da professora Sonia foram colocadas algumas frases como referencial para que a partir das discussões com os alunos fossem mostradas suas visões de mundo e quais seriam seus maiores problemas.
A partir das discussões em grupo foram trabalhadas diferentes formas de linguagens como o teatro, a música, trabalho com argila, enfim de uma forma lúdica, pois foi a partir deste trabalho simbólico que permitiu a esse educando trazer para a sala de aula a sua visão de mundo em que ele vivência. Podemos identificar nos vídeos que é a partir das trocas entre o educador e o educando que os saberes vão sendo construídos numa relação em que ambos vão aprendendo e construindo.
Identifiquei ao longo dos vídeos que a construção das palavras escritas a partir do nome dos objetos que se faziam com mais significados para eles. Procurando estabelecer uma correspondência entre as letras e as sílabas orais a fim de construírem sua escrita, em uma fase inicial. Não podemos esquecer e isso é demonstrado ao longo de todos os vídeos apresentados que por mais que os alunos sejam analfabetos não significa que sejam pessoas não instruídas, todos tem saberes ligados a suas vivências e que são primordiais para transformarem em Marco Referencial nas aprendizagens. O tema gerador é o que motiva e desencadeia o processo educativo pois perpassa entre a sua dimensão política relacionando com a sua identificação semântica.
Foi identificado conflitos em associar a letra correta ao som que estava sendo pedido na palavra e ao mesmo tempo a professora questiona ao aluno o que ele havia escrito, este não percebia que o som não correspondia a palavra. Com o andamento das aulas foram sendo construído momentos de observação a fim de o aluno avaliar toda a sua construção até aquele momento e assim perceber o seu erro de uma forma construtiva, lhe provocando situações de desafio para lhe desabilitar e gerar um conflito para que surgisse momentos de reflexão a com isso construir novas estruturas de conhecimento e dando-o autonomia para procurar suas respostas.
Fonte:
Vídeo
A construção da leitura e da escrita. Disponível em: