segunda-feira, 31 de agosto de 2015

A Prática I

A sala de aula se configura como um microssistema em que se tem a necessidade de se organizar os espaços para que as intervenções pedagógicas tenham o efeito desejado. A avaliação se torna efetiva se as avaliações a serem realizadas partir deste sistema. 
Então a avaliação é um processo reflexivo, ela não se atém somente aos processos utilizados em sala de aula, onde devemos observar os espaços que serão utilizados, a organização que se configura a sala, as relações interativas que os alunos tem com os objetos ou recursos utilizados, e não podemos esquecer neste processo como a distribuição do tempo é administrada, e como as relações se relacionam como professor/aluno, aluno/aluno, aluno/sala de aula, aluno/escola. 
Para a prática educativa todo planejamento deve ser previsto anteriormente, e dentro deste processo devemos estar atentos as intenções, as previsões, as expectativas e a avaliação dos resultados. Para esta tarefa muitos recursos podem ser utilizados como: uma exposição, um debate, uma leitura, uma pesquisa bibliográfica, tomar notas, uma ação motivadora, uma observação, uma aplicação, um exercício, o estudo, uma maquete, um jogo, etc.





Fonte: Zabala, Antonio, A Prática Educativa: como ensinar ; Porto Alegre, ARTMED, 1998

domingo, 2 de agosto de 2015

Competências do Ensino Médio.

Competências do Ensino Médio.
Por favor, professor, qual a mais importante competência a desenvolver em alunos do Ensino Médio, para que com mais facilidade aprendam e mais sucesso mostrem nos exames vestibulares?  

Por favor, professor, qual músculo mais importante desenvolver para que meu filho se transforme em um excelente jogador de futebol e possa, no futuro, ganhar o que ganha hoje um dos Ronaldos?  

Embora aparentemente diferentes, as duas perguntas possuem algo em comum: a impossibilidade de uma resposta. Realmente é tão absurdo falar-se em uma competência a desenvolver, quanto acreditar-se que um único músculo possa ajudar a prática deste ou daquele esporte e, pior ainda, garantir a integridade do sucesso. O mais coerente é pensar em quais competências desenvolver e ainda assim acreditar que através de muito esforço e treino essas competências levam o aluno a aprender melhor, fato que absolutamente não significa que o tornará capaz de driblar os imensos labirintos que o farão atravessar as estreitas portas dos vestibulares mais concorridos.
O desenvolvimento desse elenco de competências não representa segredo deste ou daquele professor, antes se insere nos próprios documentos que analisam os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio e estão claramente enunciadas nos Documentos Introdutórios dos Exames Nacionais do Ensino Médio. Em síntese, esses documentos enfatizam:  
 1º- As competências que se necessita estimular devem ser vistas como modalidades estruturais das Inteligências e, portanto, um conjunto de ações e operações que  devem ser usadas para estabelecer relações múltiplas e resolver problemas. Desde que devidamente adquiridas, geram habilidades (saber fazer) e, portanto, pensar em competência significa explorar a faculdade de mobilizar diferentes recursos cognitivos para com eficiência e pertinência enfrentar e solucionar desafios. Em síntese, “competência” significa compreender uma pergunta e mobilizar os elementos estruturais que se tem na cabeça para encontrar uma resposta eficiente.  
 2º- Compreendendo-se com clareza o que efetivamente é uma competência, chega-se ao elenco das que são as mais importantes, ainda que não exclusivas. Entre estas, cabe destacar a capacidade de abstração que se desenvolve no aluno e que se conquista, paradoxalmente, “tirando-o” dos seus pensamentos e levando-o a “pensar no que antes nunca pensou” – que é o tema que se trabalha – para logo depois “trazê-lo de volta” associando o que descobriu com o que de novo pensou com o seu mundo, seu entorno, seus conhecimentos. Com esta competência o aluno não aprende como quem apenas veste uma camisa, mas tal como a que a transforma na sua segunda pele, contextualizando-a a suas emoções e aos encantos de sua vida e sua realidade circunstancial. Simultaneamente à essa competência, é importante estimular a capacidade desse aluno em assumir um pensamento sistêmico não mais percebendo o que aprendeu como “ algo solto” na memória mas como parte integrante de um todo. Conquistar essa maneira de pensar é jamais  confundir capítulo com novela ou degrau com escada,  mas como uma das partes da mesma que assim insere esse saber em outros mais amplos que, por sua vez, em outros ainda mais amplos mais intensamente o insere.  
 3º- Outras duas importantes competências a estimular, ainda diante do mesmo tema ou elemento do aprender, são uma visão criativa e uma ação curiosa. A criatividade se manifesta pelas associações indispensáveis que se fará entre o objeto do saber e a vida que se vive – se a cena da aula de história se associa ao lance futebolístico inesquecível, essa cena melhor será preservada na memória episódica – e essa criatividade não se manifesta caso o professor não levante perguntas intrigantes, desafios curiosos, propostas inusitadas que por alcançar a surpresa levará o aluno a conquista de uma resposta criativa.  
 4º- Essa resposta, entretanto, jamais deverá ser solução única, elemento solto que divaga pela memória explícita e sim uma resposta com diferentes alternativas e caminhos de diferentes aplicações. Essa busca de alternativas diferentes não se conquista senão pelo treino e não existe espaço mais fértil para o mesmo que a sala de aula. Até que ponto a solução que se encontrou na matemática é válida para a geografia? Possa usar em história os passos que, em língua portuguesa, aprendi na análise sintática? Quando, através do insubstituível exercício do treino puder o aluno caminhar por essas múltiplas alternativas para uma mesma resposta, deverá aprender a trabalhar em equipe e dessa forma compartilhar saber nem como quem “ensina” o colega ou como que dele “aprende” mas como quem divide experiências e, literalmente, troca idéias. Ora, o que é uma “troca” de idéias sem o espírito de um verdadeiro intercâmbio que enriquece todos envolvidos na busca dos mesmos caminhos. Trabalhar em equipe, entretanto, não simboliza competência que nasce da simples junção de pessoas, mas e ainda uma vez, do treino. Treino em que se aprende a aceitar criticas e a fazê-las, onde se exercita com o outro o sentido de uma verdadeira cooperação. Trabalhar em equipe – desculpe a sensualidade da imagem – é mais ou menos como plenamente usufruir o sexo; sem autêntica parceria, igualada pela intensidade da troca, essa relação transforma-se em masturbação à dois.  
 5º- Ao se alcançar essas competências chega o momento de se inventariar outras e entre estas é essencial o aprimoramento da comunicação que se faz, buscando as melhores palavras para com mais vigor se estimular idéias e o refazer das frases prontas, na busca de melhor fazê-las. Jamais um texto pode ser tão primoroso que não possa se beneficiar de uma revisão cuidadosa que não apenas o corrija, mas que possa imprimi-lo de maior beleza, mais cuidadosa precisão. Isto alcançado, chega-se finalmente ao desenvolvimento da competência de se buscar novos conhecimentos, sem jamais deixar de se exercitar diferentes habilidades – comparar, analisar, classificar, sintetizar, conceituar, expressar, descrever, contextualizar e outras mais – que, em última análise, nada mais é que  ensinar o aluno a pensar.  
 É evidente que nesta síntese não se buscou objetivos explícitos e conhecimentos específicos de cada disciplina que, por sua vez, também tem outras competências a sugerir. Mas, quando esses caminhos se trazem para a aula, atribua-se o nome que se queira atribuir, em verdade o professor está verdadeiramente ensinando, pois tem em mente um aluno que essencialmente nada mais pede que o direito de aprender. Assim agir não significa apenas pensar no que faz, mas inclui também pensar para quem se faz.

Celso Antunes

Celso Antunes
- Formado em Geografia pela Universidade de São Paulo (USP);
- Mestre em Ciências Humanas pela Universidade de São Paulo (USP);
- Especialista em inteligência e cognição;

Fonte: Portal Eduka

sábado, 18 de julho de 2015

O que é autonomia?

       Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para sua construção, propondo sempre uma reflexão crítica sobre o conteúdo e seu exemplo no mundo no cotidiano mais palpável deste aluno. Em minha prática procuro sempre instigar que meus alunos sejam curiosos, que pesquisem e persistem ante as dificuldades para entender o conteúdo e este conhecimento no mundo, no nosso país, na nossa cidade, no nosso bairro. Sendo que por mais que eu seja o professor e tenha mais tempo de leitura e pesquisa que eles, não sou a detentora do saber absoluto por que eles não poderiam trazer conhecimento para trocar comigo e com os colegas, instiga-los sempre.
       Uma das tarefas que hoje é muito difícil é propor que os alunos estudem, mas como vou cobrar algo que nunca foi ensinado e explicado então como vou cobrar pesquisa se não ensino como pesquisar. E porque não ensinar aos alunos de periferia “Não iram entender?”, “Não tem capacidade?”, é estas palavras que muitas vezes escuto de professores, mas se eu como professor não pesquiso, não estudo, e principalmente odeio ler, o porquê de estar nesta profissão?
          Como vou cobrar algo de meu aluno se não faço eu mesmo na minha prática, isto não seria ético, como Paulo Freire escreve “faça o que mando e não o que eu faço” (pag. 35). Em minha sala sempre cobro estudo, mas minhas dúvidas são sempre como vou cobrar sem que seja cansativo e agressivo, mas uma das últimas atividades que fiz foi realizar uma prova com consulta de uma cola individual e que seria anexada à prova, não sei se fui correta, mas estou adorando os resultados e as falas dos alunos já que no final ninguém consultou sua cola, aqueles que a fizeram, pois já tinham estudado e não precisavam deste recurso. E os resultados estão bem pontuais aqueles que fizeram tiveram um maior número de questões acertadas e souberam construir reflexões nas questões discursivas sobre o conteúdo muito melhor que aqueles que não se esforçaram.
        Ser professor é ser assim hoje em dia, não ensinar somente o conteúdo este já se encontra na Internet, mas sim motiva-los a estudar a ser curiosos a instigarem sempre nas suas dúvidas motiva-los a ir enfrente e resolver suas dificuldades. E minha responsabilidade ensina-los a ser ético a partir de meus exemplos, não excluir a nenhum aluno por mais que ele seja um bagunceiro, ou que destrói o colégio mas sim conquistar sua aceitação, o seu respeito, e sua afetividade para que entenda que mudanças devem ser feitas nas suas atitudes com a escola.
           Mas não quer dizer que eu não erre procuro sempre mostrar com meus atos diários que não estou ali apenas como profissional mas que me importo com todos os alunos tenho afetividade. Sendo que é meu papel repreender quando for necessário, se vou ou não receber um trabalho de aluno fora da data estipulada, é tomando decisões como de orientar atividades, estabelecer tarefas, cobrando as produções de cada um.

             Desta maneira o professor tem o dever de estar sempre se preparando se atualizando e as escola com seus gestores sempre cobrando e averiguando o andamento de seus profissionais como suas atitudes para com seus alunos, o andamento da gestão da sala de aula, as formações dos professores, o momento de reuniões entre os professores, a manutenção da estrutura física enfim o funcionamento da instituição de ensino em um todo para assim ter como ajudar seus alunos a superar os seus obstáculos nas suas aprendizagens e assim estar mais preparado para lidar com as dificuldades que é viver em uma sociedade moderna e globalizada.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Susan Greenfield - O futuro do cérebro, o cérebro do futuro

          A fala de Susan Greenfield, veio a me instigar as várias dúvidas que tenho sobre como as pessoas usam a tecnologia ou será das formas como a tecnologia nos aprisiona. Me lembro de um tempo em que passear por uma biblioteca era fascinante, conversar com meus pais reunidos no jantar era uma festa, hoje é tortura para um ser humano conviver com outro. Naquele tempo não tínhamos essa ansiedade que está a todo momento nos rodeando e esse sentimento de incapacidade como se não conseguirmos acompanhar esse ritmo não seremos felizes.
  



           Susan Greenfield, neurocientista britânica, fala sobre a influência das novas tecnologias em nossas vidas, em como pensamos e sentimos o mundo na conferência “O futuro do cérebro, o cérebro do futuro”. Conferencista Fronteiras do Pensamento 2012.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

COMO DESPERTAR O GOSTO PELA LEITURA

Quando o assunto é o gosto pela leitura, eu sempre pensei – apesar de nunca ter comprovado através de bibliografia específica – que dois tipos de atitudes do professor são necessários: um passivo, outro ativo.
ANDRÉ GAZOLA
André Augusto Gazola é formado em Letras, professor de Literatura e História da Arte, pós-graduando em Metodologia de Ensino de Língua Portuguesa e Literatura e fundador do blog Lendo.org.É casado e mora em Bento Gonçalves-RS.


ATITUDES PASSIVAS
Julgo como atitudes passivas todas aquelas que tenham como objetivo criar um ambiente no qual o aluno sinta-se envolvido pelo mundo dos livros e da literatura sem, contudo, ver isso como uma imposição.

Na sala de aula, reservar um lugar (ou vários) para colocar livros.
Comumente, quando o professor chega com livros na sala de aula, há um sentimento geral de “ahh, hoje vai ser aula de leitura”. E isso é ruim. Os alunos devem encarar a leitura como algo comum, que podemos fazer a qualquer hora, em qualquer lugar. Para isso, é necessário eliminar esse sentimento de estranheza em relação aos livros. Dessa forma, ao reservar espaços para eles na sala de aula, os alunos acabam acostumando a, vez ou outra, pegar um livro ao menos para folhear. Claro que, dependendo da escola, não existe a possibilidade de deixar os livros permanentemente na sala de aula. Porém pensaria em levá-los a cada aula e reservar um (ou dois, ou três, ou os quatro) cantos da sala para deixá-los “expostos”.

O professor como exemplo de leitor
Durante meus anos de escola (e até de universidade), vi vários professores falando sobre os benefícios da leitura, afirmando que devemos ler livros clássicos e ressaltando suas qualidades.
Muitos deles, no entanto, nunca foram vistos com um livro embaixo do braço.
Essa atitude de mostrar que “eu sou o professor e leio, olhem aqui meu livro” me parece ser uma das mais importantes para estimular os alunos a ler, pelo simples fato de que isso desperta curiosidade. Muitas pessoas leem, e começam a ler depois de ficarem curiosos sobre aquele best seller que viram na revista. Tudo bem, estimular a leitura de best sellers não é exatamente nosso objetivo, mas começar diretamente pelos clássicos será, no mínimo, traumatizante.
Em síntese, creio que o professor deve mostrar amor pela leitura. Não gosto, nem hábito, mas amor. Esse é o tópico imprescindível.

ATITUDES ATIVAS
Chamo de atitudes ativas aquelas efetivamente desempenhadas pelo professor de forma a criar uma interação entre os alunos e a leitura. Acredito que o resultado das atitudes ativas é altamente influenciado pelas atitudes passivas, daí a importância dessas últimas. A seguir, falo de algumas atitudes ativas que eu busco praticar com meus alunos.

Apresentar textos de interesse dos alunos e destacar a utilidade da literatura
Óbvio. Os alunos não terão interesse em textos que não tenham nada a ver com suas realidades ou que não despertem algum tipo de sentimento. Ninguém, mesmo um apaixonado por leitura, lê por ler. É preciso um motivo. É preciso gostar. É preciso ter necessidade.
Nós, como professores, temos condições de perceber quais os interesses de nossos alunos. Essa é uma tarefa relativamente fácil. A partir disso, podemos selecionar textos de acordo com seus gostos e apresentá-los, lê-los, interpretá-los, mostrar que um texto (ou um livro) é, de certa forma, um amigo com o qual podemos conversar e trocar ideias. Então caímos num ponto importante: precisamos mostrar a utilidade da leitura. Sempre observei que a maioria dos alunos não vê utilidade naquilo que lê. Isso não é culpa deles. É culpa da sociedade, desse mundo tecnicista e de puro senso prático e imediato. Quando se começa a ler ficção, é difícil perceber como ela é útil em nossas vidas. Por isso, quem sabe alguns livros de não-ficção possam ser uma boa escolha nesse sentido de criar um senso de necessidade e utilidade.

Organizar atividades a partir da leitura e fazer relações internas e externas
Em abril de 2008, publiquei um texto no extinto blog Bravus.net, no qual faço sugestões de atividades para trabalhar com o clássico de Miguel de Cervantes, Dom Quixote.
Muitas das atividades sugeridas podem ser adaptadas e utilizadas para quaisquer livros, então transcrevo-as abaixo:
1. Fazer a leitura em voz alta de alguns capítulos da obra: alunos e professor intercalando a leitura e criando curiosidade quanto ao resto da história. É muito mais divertido que uma leitura solitária;

2. Jogo de incorporação à leitura: escolhemos um capítulo ou trecho e fazemos algumas marcas no texto (a cada duas ou três linhas). Um aluno inicia a leitura em voz alta e, seguindo uma ordem estabelecida antecipadamente, um novo aluno começa a ler a cada marca do texto, até que todos estejam lendo juntos;

3. Feira de leitura: o grupo encarregado da atividade anunciará — como faziam os leiloeiros antigamente — que em determinada hora e lugar será feita a leitura de certo trecho do livro. Também farão cartazes anunciando o grande acontecimento;

4. Leitura dramatizada: um grupo prepara a narração de algum capítulo da obra para contar aos outros (ao ar livre), utilizando imagens sequenciais dos fatos. Os narradores podem vestir-se conforme o estilo da época e pode-se encenar alguns personagens;

5. Leitura musical: cada grupo fica responsável por um capítulo e escolhe uma música que combine com o trecho a ser lido. Durante a leitura podem ser feitas pausas para ouvir a música, que ficará de fundo para os narradores.

6. Brincar com personagens:
Imaginar como são, desenhá-los, descrevê-los;
Procurar fotos dos personagens na internet e montar um mural. Depois ler em voz alta algumas falas para ver se os alunos descobrem de que personagem são;
“Quem é quem?” com os personagens do mural. Dividir a sala em dois grupos pode ser divertido aqui.
Desfile de modelos: entregamos a foto de um personagem e os alunos devem descrevê-lo utilizando comentários como se fosse um desfile de moda;

7. Escolher um capítulo e adaptá-lo para linguagem teatral.

Enfim, muitas outras podem ser pensadas.
Para terminar, o que quero dizer com “relações internas e externas”?
Chamo de relações internas aquelas feitas entre a literatura e a própria literatura. Se um livro faz menção a outro, comentar sobre esse outro. Se um autor tem alguma relação com outro (Luis Fernando Veríssimo com Érico Veríssimo, por exemplo), comentar sobre essa relação, estabelecer diferenças, destacar influências, tornar a questão humana, não só objeto de estudo.
Chamo de relações externas aquelas estabelecidas entre a literatura e outras áreas do conhecimento. Se falamos de Dom Quixote, podemos fazer uma atividade de procurar em um mapa onde fica o “Canal da Mancha” — uma relação entre literatura e geografia. Se lemos Cíntia Moscovich e seus personagens judeus, podemos explicar um pouco sobre esse povo e as atrocidades que viveram na Segunda Guerra — uma relação entre literatura e história. Se lemos Jane Austen e suas heroínas perspicazes que recusam-se a um casamento arranjado, podemos comentar esse tipo de situação que ocorria até fins do século XIX — uma relação entre literatura, história, sociologia e antropologia. E assim por diante.
Enfim, essas são algumas ideias que acredito serem eficazes para estimular o gosto pela leitura. Sei que cada contexto exige posturas diferentes por parte do professor, mas espero que você possa aplicar ao menos algumas dessas sugestões com seus alunos.

Habilidades Socioemocionais

Habilidades não cognitivas ou sociemocionais:


Fonte: Revista Neuroeducação, Nº 3, pag. 23