Aprender é a forma de se construir
aprendizagens, já os conteúdos são as informações, com que os professores se
utilizam, para que sejam transformadas em conhecimentos. Então aprender é uma
construção onde a informação chega para ser compreendida, aceita, assimilada,
experimentada e praticada. Estas aprendizagens se fazem ao longo do crescimento
do ser humano, sendo elas adquiridas nos vários convívios em sua comunidade
familiar, social e escolar. Uma parte de nós é instintiva, mas temos uma boa
parte cultural em que essas experiências vivenciais promovem os insights em
nossas assimilações de aprendizagens. A inexistência dessa experiência que
temos desde o nascer com outros indivíduos da mesma espécie promoverá uma perda
significativa em nosso desenvolvimento cognitivo.
O preconceito ligado as pessoas que se
apresentam fora dos padrões considerados “normais” sempre foram vistas como de
difícil aceitação. Nas sociedades de cultura primitiva, os povos eram nômades,
e sua sobrevivência estava diretamente ligada a caça e a pesca. Estes
indivíduos eram nômades e estavam sujeitos às intempéries e aos animais
selvagens, as dificuldades que o meio ambiente trazia, faziam com que as
pessoas que fugiam ao padrão da tribo fossem incapazes de irem em busca da caça
e de sobreviver por si mesmos, fazendo com que fossem abandonados, o que
inevitavelmente contribuía para sua morte.
Nas sociedades da antiguidade, como Atenas e
Esparta, também as pessoas com deficiência fosse vistas como sub-humanas, já
que essa sociedade tinha uma ideia de culto ao corpo atlético e que se
encontravam em momento histórico que tinha-se a ideia de conquista e ampliação
de seus territórios como principal ideário, fazendo com que muito pouco se
tenha de registro sobre pessoas com deficiências.
Já na idade média com a difusão do
cristianismo, as pessoas que fugiam da dita “normalidade” apresentam um status
teológico, em que apresentam uma alma, mas não apresentam uma igualdade de direitos
e aqueles que fugiam do padrão eram normalmente abandonados em conventos ou
igrejas. Com a inserção do sistema capitalismo temos o indivíduo sendo
valorizado pelo o que ele produz, tendo um valor monetizado.
Já no Brasil, nossa história foi determinada pelo
menos até o final do século XIX, pelos costumes e informações vindas da Europa
e para isso deve-se analisar também questões ligadas a história da implementação
da educação brasileira ao longo da sua história e da inserção dos direitos dos indivíduos.
Temos na época da colonização, com a educação
sendo atribuída aos Jesuítas, décadas mais adiante o modelo de implementação no
sistema educacional era pelos moldes da cultura Europeia. Já na primeira
Constituição do Brasil, em 1822, a educação se torna um direito do cidadão
Brasileiro, entretanto não determinou a responsabilidade de qual órgão da
federação.
O abandono de crianças com deficiências nas
ruas, portas de conventos e igrejas era comum no século XVII, que acabavam
sendo devoradas por cães ou acabavam morrendo de frio, fome ou sede. A criação
da “roda de expostos” em Salvador e Rio de Janeiro, no início do século XVIII
e, em São Paulo, no início do século XIX, deu início a institucionalização
dessas crianças que eram cuidadas por religiosas.
No século XIX, mais precisamente em 1854 a
criação do Instituto Benjamin Constant para meninos cegos, sendo como um marco
dentro da história da educação de pessoas com deficiência no Brasil, mesmo que
o atendimento fosse para uma minoria que tivesse oportunidade. Em 1856, temos a
criação do Instituto Nacional de Educação dos Surdos (INES), para o atendimento
das pessoas surdas. Duas instituições ligadas mais no caráter de
assistencialismo não na relação direitos das pessoas com deficiência.
Durante as primeiras décadas do século XX, o
país vivenciou a estruturação da República e o processo de popularização da
escola. Surge o movimento da escola nova, que postulava: a crença no poder da
educação como ponto de transformação social, o interesse por pesquisas
científicas, a preocupação em reduzir as desigualdades sociais e estimular a
liberdade individual da criança.
Temos a fundação da Pestalozzi em 1932 e das
APAEs em 1954, instituições ligadas a educação de pessoas com deficiência
intelectual, instituições criadas principalmente pela falta de que o estado não
assumir a responsabilidade pelos seus cuidados.
Com o processo de industrialização do país
temos a necessidade de trabalhadores mais especializados e com isso se promulga
o ensino primário como obrigatório e gratuito e ao longo da redemocratização do
País temos a formulação da Constituição de 1988, e a LDB em 1964 desde então
temos a educação para Todos e um dever do Estado em oferta-la. No geral, as
crianças com deficiências continuavam sendo cuidadas em casa ou
institucionalizadas. Com estudos e direitos sendo adquiridos gradativamente passasse
de um paradigma relacionado apenas a medicina questões multidisciplinares
englobando tanto psicólogos e pedagogos fundamentados em questões que abrangem
os direitos humanos, entretanto muitas das iniciativas aconteciam mais nos
grandes centros.
Quando os vários estudiosos procuraram estudar
os processos educativos identificaram que a aprendizagem só se dará
significativamente se vir inteirada das experiências, da realidade e da
interpretação que os indivíduos fazem dela. Então cada saber é único, e quando
se fala em inclusão de pessoas com deficiência, é trazer para perto, dar a ela
o direito de ter as mesmas experiências, é aceitar o diferente e também
aprender com ele. É preciso entender que a inclusão não é apenas para crianças
deficientes, mas para todos os excluídos ou descriminados, para as minorias.
Pois quando falamos em incluir estamos dando o significado de somar,
compreender, englobar em outras palavras a todos nas suas especificações.
É um equívoco chamar as pessoas com
necessidades especiais, não são as pessoas que desenvolveram necessidades
especiais, são pessoas com deficiência intelectual que tem necessidades
especiais decorrentes da deficiência intelectual, as vezes pessoas sem
deficiência intelectual tem necessidades especiais, isto é como no caso de
deficiência social econômica, na realidade são muitos as situações pois muitas
vezes uma situação de fracasso escolar como repetência, dificuldades na
aprendizagem passam por muitas outras características que deveriam ser
avaliadas e tentarmos entender o caso de uma forma individualmente.
Atualmente as demandas que nos impõem o sistema, principalmente nas escolas públicas e municipais, com turmas extremamente cheias onde temos 35 a 40 alunos, temos dificuldades em identificar o desenvolvimento das aprendizagens individualmente de nossos alunos e isto vem nos trazendo frustações e vários temores, que tentamos amenizar com as formações continuadas que nos é proporcionada.
Fonte:
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